França: 11 suspeitos são presos de morte de militante de ultradireita

Nesta quarta-feira (18/2), foram presas mais dois suspeitos na investigação da morte do militante Quentin Deranque, totalizando 11 detenções. O caso alimenta fortes tensões políticas na França, com o debate ampliando-se para além do episódio em Lyon e atingindo a disputa entre esquerda, direita e extremas correntes antes das eleições municipais.

Deranque, 23 anos, foi atacado próximo ao Instituto de Estudos Políticos de Lyon, após uma conferência da deputada europeia Rima Hassan (LFI). O espancamento ocorreu durante uma manifestação do coletivo Némesis, que se apresenta como defensor dos direitos das mulheres, mas cujas posições costumam dialogar com discursos xenófobos e anti-imigração. Entre os detidos está Jacques-Elie Favrot, assistente parlamentar do deputado da esquerda radical Raphaël Arnault (LFI). A porta-voz do governo, Maud Bregeon, pediu que Arnault fosse afastado temporariamente do grupo parlamentar.

O incidente levou a LFI a ficar sob o holofote da oposição, a menos de um mês das eleições municipais. A sede nacional do partido, em Paris, foi evacuada após uma ameaça de bomba. O caso reacende o debate sobre violência política na França e sobre a relação entre grupos radicais de esquerda e de direita.

Deranque, um jovem de 23 anos, integrava o serviço de segurança do coletivo ultranacionalista Némesis, que atua na defesa de direitos das mulheres, mas cujas ações costumam conviver com críticas de organizações feministas, que veem nesse movimento uma instrumentalização de pautas feministas para sustentar um nacionalismo agressivo. Segundo o Ministério Público de Lyon, houve confronto entre grupos de extrema direita e esquerda radical no local.

Instrumentalização política

O assassinato provocou uma forte reação política: o ministro do Interior, Gérald Darmanin, acusou a LFI de manter proximidade com a organização La Jeune Garde, dissolvida por práticas violentas. A avaliação é compartilhada por outros partidos, como o Partido Socialista (PS), que critica a relação ambígua da LFI com movimentos radicais. Jean?Luc Mélenchon rejeita as críticas, afirmando que houve uma confrontação entre facções e condenando a violência, mas alegando que não houve ataque premeditado e que há “instrumentalização política” do caso pelos opositores.

A extrema direita aproveitou a repercussão para intensificar ataques à LFI, tentando ampliar sua base eleitoral. Jordan Bardella, presidente do RN, acusou Mélenchon de abrir as portas da Assembleia Nacional a presumidos assassinos, enquanto o RN vê nessa crise uma oportunidade de reforçar a imagem de “partido normalizado” diante da opinião pública.

Durante sessão no Parlamento, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que a LFI realize uma revisão interna e assuma responsabilidades. O debate tornou-se acirrado entre parlamentares da esquerda radical e da extrema direita, com o RN tentando associar o episódio à postura combativa da LFI. Lecornu reforçou a necessidade de que a verdade judicial prevaleça, sem interferência política, enquanto a LFI continua rejeitando qualquer ligação com os agressores.

Contexto ideológico

O coletivo Némesis, criado em 2019 por Alice Cordier, voltou a ocupar o centro do debate político. Apesar de adotar uma estética que se inspira no feminismo, o grupo é alvo de críticas de organizações feministas que veem nele uma instrumentalização da pauta das mulheres para sustentar um nacionalismo. Suas intervenções costumam ligar crimes atribuídos a imigrantes à segurança feminina, argumento recorrente no repertório da extrema direita francesa.

A morte de Deranque expõe ainda a polarização da política francesa e a forma como episódios de violência podem ser rapidamente apropriados em disputa eleitoral. Enquanto a extrema direita tenta capitalizar o desgaste da LFI, o movimento de Mélenchon tenta distanciar-se de qualquer vínculo com práticas violentas, defendendo as liberdades democráticas e o direito de manifestação.

O caso intensificou os confrontos entre direita, extrema direita e esquerda radical, com opositores da LFI reforçando críticas sobre a relação do partido com grupos radicais e parlamentares da LFI insistindo que o debate deve se concentrar na defesa das liberdades democráticas, não atribuindo atos de violência a todo o espectro político.

Conclui-se que a violência emite perguntas cruciais sobre os limites da presença de grupos radicais no espaço político, bem como sobre a responsabilidade de quem ocupa cargos públicos diante de conflitos ideológicos intensos. Compartilhe como você enxerga o papel da violência política na França e quais impactos isso pode ter no cenário eleitoral. Comente abaixo sua opinião sobre o tema.

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