Após ter seu nome projetado nacionalmente depois do caso do cão Orelha — brutalmente espancado e morto por adolescentes em janeiro deste ano — o delegado-geral da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel, vai deixar o cargo para se dedicar às campanhas eleitorais.
Ulisses é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Ele deixará o comando da delegacia-geral após pouco mais de três anos, tendo assumido o cargo em 10 de janeiro de 2023.
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Natural do município catarinense de Turvo, ele tomou posse na Polícia Civil de Santa Catarina em 2007 e, desde então, atuou em diversas unidades.
Polêmicas no caso Orelha
No início deste mês, Ulisses Gabriel passou a ser alvo de um procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A apuração, conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial, tem como finalidade avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra o delegado.
Segundo o Ministério Público, a iniciativa foi motivada pelo recebimento de diversas representações questionando a conduta do chefe da Polícia Civil no curso das investigações.
De acordo com o MP, a apuração busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O foco está na possibilidade de o delegado ter revelado informações que deveriam permanecer sob sigilo, o que, em tese, poderia ter gerado beneficiamento por informação privilegiada ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.

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Cão Orelha recebeu homenagem nas redes sociais
Reprodução/ Redes Sociais

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Imagens mostram adolescentes com cão Caramelo na orla do mar
Material cedido ao Metrópoles

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Diversos protestos ocorreram em todo o país
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

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Nas redes sociais, Orelha é homenageada por internautas
Reprodução/ Redes Sociais
O caso Orelha
O caso Orelha ganhou grande repercussão após o cão comunitário ser brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. O animal foi resgatado por moradores no dia seguinte à violência, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
A Polícia Civil concluiu a investigação no dia 3 de fevereiro. No desfecho, foi solicitada a internação de um dos adolescentes, enquanto três adultos foram indiciados por coação no curso do processo, suspeitos de tentar interferir nos depoimentos. Ao todo, quatro adolescentes foram formalmente representados.
Durante a apuração, os investigadores ouviram 24 testemunhas e analisaram a conduta de oito adolescentes. Para esclarecer a dinâmica do crime e identificar os envolvidos, a polícia examinou mais de mil horas de imagens, captadas por 14 câmeras de segurança instaladas na região onde ocorreram as agressões.
Por envolver menores de idade, o procedimento tramita em segredo de Justiça, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

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