A morte de cinco pessoas que vinham da Bahia para o Distrito Federal reacende o debate sobre a recorrência de viagens clandestinas entre estados. O Metrópoles acompanhou rodoviárias da capital por dois dias e flagrou carros de passeio oferecendo viagens rápidas, com famílias e comerciantes aceitando as ofertas para chegar aos destinos com mais agilidade.
Na Rodoviária Interestadual de Brasília, na quinta-feira (19/2), motoristas perguntavam: “Vai para Goiânia? Anápolis?” e prometiam rapidez. Cada passageiro era cobrado em torno de R$ 90, com ofertas de desconto para quem aceitou viajar com menos pessoas.
Na rodoviária de Taguatinga, o cenário era parecido: motoristas reunidos discutiam destinos, dizendo que faltava apenas um passageiro para sair. Na sexta-feira (20/2), o Metrópoles voltou a flagrar o transporte pirata atuando na Rodoviária Interestadual de Brasília, com promessas de trajeto Brasília-Goiânia em até duas horas.
Pouco depois, surgiu o caso de uma família a bordo de um veículo que partiu com passageiros já confirmados. A reportagem também observou o motorista repassando dinheiro a outros parceiros de lotação antes de empreender a viagem, evidenciando a rede informal que sustenta esse tipo de serviço.
Além dos carros de passeio, há ônibus que fazem viagens interestaduais para estados mais distantes. São Paulo é destino comum para comerciantes de feiras e lojas de vestuário. A reportagem acompanhou a chegada de dois coletivos vindos de São Paulo, direto para a Feira Central de Ceilândia, com saídas quase diárias de pontos estratégicos de Taguatinga e Ceilândia rumo ao Brás. As sessões de partida ocorrem majoritariamente às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, por volta das 9h, com retorno no dia seguinte.
Não há indícios evidentes de irregularidade por parte das empresas de turismo que ligam Brasília a São Paulo, mas a prática revela a clara preferência do cidadão pelo transporte alternativo, motivada pela conveniência de horários e preços menores em relação às linhas tradicionais.
Tragédias e irregularidades marcaram o cenário. Na terça-feira (17/2), uma van que transportava 17 pessoas de Santa Rita de Cássia, na Bahia, para o DF, colidiu com um caminhão na BR-020, pouco depois de Formosa (GO). Cinco pessoas morreram e 12 ficaram feridas. A ANTT informou que a van era clandestina e estava com status inativo, sem licença para rodar. O motorista afirmou ter dirigido por mais de 12 horas seguidas no momento do acidente, desrespeitando o limite de 5h30 de condução sem descanso.
Em outubro de 2023, um ônibus de turismo fugiu de uma blitz e capotou na BR-070, após acelerar para fugir de fiscais da ANTT, vindo do Maranhão. Doze pessoas ficaram feridas e cinco morreram. Em dezembro de 2024, o TJDFT determinou que a empresa responsável indenizasse duas vítimas. O dono do ônibus e o motorista, pai e filho, foram presos por homicídio doloso eventual.
A soma de relatos aponta que o transporte clandestino persiste por oferecer horários mais convenientes e preços menores ante as linhas regulares. Mesmo com fiscalização, a prática continua presente em Brasília, Ceilândia e Taguatinga, alimentando um circuito paralelo de deslocamento e comércio, inclusive com comerciantes que retornam de São Paulo com mercadorias para as feiras locais.
À medida que as autoridades trabalham para coibir esse tipo de operação, a população segue buscando alternativas para deslocamentos entre o DF e outras regiões. Qual é a sua experiência com viagens entre o DF e outros estados? Compartilhe nos comentários como lidou com esse fenômeno e quais soluções você enxerga para reduzir riscos e custos.
















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