Atuando como presidente da República em exercício, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou nesta segunda-feira (23) da primeira reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em 2026, ouvindo pedidos do empresariado para adiar o debate sobre a mudança na jornada de trabalho 6×1. O presidente da Fiesp, Paulo Skaff, afirmou que a escala 6×1 e o ano eleitoral não combinam, pedindo que o tema retorne apenas no próximo ano. “A gente precisa que essa discussão vá para 2027. Nós estamos abertos sempre a debater tudo. Só que, ano eleitoral, as emoções, os sentimentos, muitas vezes se confundem com os interesses do país”, declarou Skaff, antes de passar a palavra a Alckmin.
A CNC divulgou estimativas de custo associadas à eventual adoção da jornada 6×1 no comércio e no serviço. O estudo aponta custos anuais de R$ 122,4 bilhões para o comércio varejista, com um aumento de 21% na folha salarial, e de R$ 235 bilhões no setor de serviços.
Entre os trabalhadores formais do comércio varejista, 93% cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, e no atacado esse índice é de 92%. Segundo a CNC, o choque de uma mudança significativa na jornada pode levar a 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.
Durante a reunião, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, comprometeu-se a levar ao presidente Lula a visão da Fiesp. Ao fim do encontro, foram assinados dois Protocolos de Intenção: um voltado à promoção do comércio justo e à defesa comercial contra práticas desleais, e outro sobre desburocratização, que prevê revisão de regulamentações excessivas, digitalização de serviços públicos e redução da burocracia na indústria brasileira.
“A cooperação com o setor produtivo na defesa comercial vai contribuir para fortalecer o comércio justo e promover um ambiente concorrencial mais equilibrado”, afirmou o presidente em exercício.
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