Produtor e fã detalham bastidores dos Mamonas 3 décadas após tragédia

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Sexto mamona: a história de Ralado, sobrevivente e legado dos Mamonas Assassinas

Quase 30 anos após a tragédia que ceifou a banda Mamonas Assassinas, novas histórias ajudam a entender o fenômeno e o papel de Ralado, o chamado “sexto mamona”, que vivia próximo aos músicos e era peça fundamental nos bastidores da turnê que conquistou o Brasil.

Ralado, cujo nome é André Oliveira de Brito, era assistente de palco e responsável pela parte técnica das apresentações. Além disso, acompanhava Bento, Júlio, Sérgio e Samuel Reoli, sempre ao lado de Dinho, em uma relação de amizade que ia além do trabalho. Ele descreveu os dias de shows como uma correria criativa, em que cada detalhe importava para o espetáculo.

O grupo, que começou no formato Utopia, explodiu em velocidade meteórica. A agenda era intensa: participações em emissoras, turnês e apresentações simultâneas. Em pouco tempo, o que parecia sonho virou referência de sucesso brasileiro, com shows marcantes e uma identidade musical que misturava humor, irreverência e inovação.

No dia 2 de março de 1996, o avião que acompanhava os Mamonas caiu durante uma viagem de Brasília a São Paulo, levando a público e família a uma perda inesquecível. Curiosamente, Ralado não embarcou naquela viagem: após um solavanco na pista durante uma visita de Piracicaba, ele decidiu retornar de carro, uma mudança de planos que acabou salvando sua vida. “Foi o único show que eu não viajei com eles”, relembrou, emocionado, ao lembrar o momento que o grupo utilizava para despedir-se de Brasília.

A turnê seguinte, que seguiria para Portugal, ficou abortada pela tragédia. A indumentária improvisada para o camarim daquele dia tornou-se símbolo da histórica noite. E, segundo relatos, Dinho teria dito aos colegas que a ausência de Ralado seria sentida, sugerindo que o destino pode guardar segredos até para quem parece ter tudo sob controle.

Outra versão importante vem de Cleber Santos, fundador de um dos primeiros fã-clubes e da primeira banda cover do grupo, o Somrisal. Cleber relembra o episódio de forma emocionante: “Eles tinham o sonho de tocar no Thomeuzão, queriam abrir o show do Guilherme Arantes. E essa mesma pessoa estava lá.” O episódio — em que o Utopia abriu o show e voltou como Mamonas — é narrado como um marco do pioneirismo e da coragem de seguir adiante, mesmo diante da rejeição inicial de espaços como o Thomeuzão.

Essa nostalgia ganhava força com a constatação de que o legado dos Mamonas permanece vivo, sobretudo por meio da fã-clube Somrisal, que continua apresentando o repertório do grupo há 30 anos. Cleber reforça que a banda criada na adolescência, com a bênção de Dinho, simboliza a paixão de fãs que cresceram ao som dos Mamonas e desejam manter vivo o espírito da banda, mesmo após tantos anos.

Entre retratos do passado e memórias de bastidores, surge o retrato de um momento único da música brasileira: a combinação de talento, sorte, improviso e uma relação de afeto entre músicos e equipe técnica. O legado vai além das músicas e rimas cômicas: é a lembrança coletiva de uma época em que o humor, a alegria e a coragem de lutar pela própria voz criaram uma marca que ainda ressoa na cidade de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, e em todo o Brasil.

Galeria de imagens – Mamonas Assassinas e bastidores. Abaixo, uma seleção com imagens históricas que ajudam a entender o clima da época (as fotos com largura superior a 500px foram selecionadas para melhor qualidade visual):

Palavras-chave: Mamonas Assassinas, Ralado, Sexto mamona, Utopia, Somrisal, Brasília, tragédia, nostalgia, cultura pop brasileira, bastidores.

Este conteúdo reúne relatos e lembranças que ajudam a entender não apenas a trajetória artística, mas também a dimensão humana por trás de uma das bandas que marcou uma geração. A história de Ralado mostra como a dedicação e a amizade podem sustentar uma jornada tão rápida quanto efêmera, conectando fãs, moradores e a memória de um período único da música nacional.

E você, qual memória dos Mamonas Assassinas guarda? Compartilhe nos comentários como a banda influenciou sua vida, ou conte uma lembrança de bastidores que tenha ficado marcada para você.

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