Não há para onde fugir. Cercado pela Justiça, o banqueiro Daniel Vorcaro encara uma escolha: fazer uma delação premiada e entregar todo o sistema ou permanecer preso por muitos anos. Pessoas próximas a ele avaliam que já mostrou disposição para colaborar, caso haja acordo.
A prisão ocorre dias antes da aguardada reunião com senadores da Comissão de Assuntos Econômicos, a CAE, na qual Vorcaro havia se comprometido a falar.
Em novembro, ele foi acusado de tentar deixar o Brasil após anunciar a venda do Banco Master em uma operação considerada suspeita. Voltou para casa onze dias depois, sob monitoramento de tornozeleira eletrônica, após comprovar ao Banco Central que havia informado sobre a viagem. Naquele momento, a delação ainda não havia sido mencionada; a situação, porém, se alterou desde então.
Vorcaro é acusado de planejar silenciar jornalistas e funcionários que via como opositores, além de espionagem de adversários e tentativa de cooptar dois diretores do Banco Central. Um dos pontos centrais de sua fala à CAE seria a divisão interna no BC durante o julgamento do seu banco e as relações não institucionais envolvendo o setor financeiro.
Antes disso, o banqueiro já havia passado pelo Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, em uma fase descrita como um “menu degustação” do que o espera.
Quando o ministro André Mendonça, do STF, assumiu a relatoria do caso Master, Vorcaro respondeu a um interlocutor o que havia achado do novo julgador: “Já mandei comprar cigarro.” “Agora é saber quantos maços.”
O desenrolar desse caso envolve questões sobre investigações, pressões institucionais e o papel das instituições financeiras. Qual é a sua leitura sobre os próximos passos desse julgamento e as implicações para o setor? Deixe sua opinião nos comentários.

Comentários do Facebook