Apesar de uma forte mobilização contrária e protestos de parlamentares do PL e de ideologia conservadora, a deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, foi eleita presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. O mandato vai até o final de janeiro do ano que vem.
Devido à divisão entre blocos, coube ao PSOL indicar a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. A eleição enfrentou forte oposição do PL, cujo líder, Sóstenes Cavacalnte (RJ), protestou contra o nome de Hilton. No primeiro turno, a votação ocorreu com chapa única, mas houve 10 votos favoráveis e 12 em branco, o que impediu a confirmação naquele momento.
No segundo turno, bastando maioria simples, Erika Hilton foi eleita com 11 votos favoráveis e 10 em branco.
Após assumir o cargo, Hilton afirmou que pretende concentrar o trabalho da comissão na construção de políticas públicas voltadas à proteção e à dignidade das mulheres. A deputada minimizou as críticas à sua eleição e disse que o foco deve ser enfrentar problemas estruturais que afetam as mulheres no país.
“Eu estou preocupada mais em que nós vamos trabalhar em prol da dignidade das mulheres. Precisamos enfrentar o feminicídio, a cultura do estupro, a violência doméstica e facilitar legislações que salvem a vida das mulheres”, afirmou. A deputada acrescentou que pretende transformar a comissão em um espaço de acolhimento e de discussão de propostas legislativas relacionadas à pauta feminina, evitando disputas políticas que desviem o foco.
“Está decidido por maioria: fui eleita a primeira travesti, mulher trans, presidenta da Comissão das Mulheres, criando um marco histórico. Vamos trabalhar por todas as mulheres, pelas meninas, pelas mulheres trans, pelas mulheres cis, pelas mães e por todas as dignidades das mulheres”, concluiu Hilton.
Diversas deputadas presentes defenderam a eleição de Hilton e celebraram o avanço da Câmara na luta por maior diversidade. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) chamou a vitória de histórica, destacando o reconhecimento da trajetória de luta pelas vozes que defendem os direitos das mulheres no Congresso. A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG), que presidia o colegiado anteriormente, saudou a continuidade da condução pela parlamentar comprometida com a pauta feminista e de direitos humanos, ressaltando a força das mulheres diversas na política.
Como você vê a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher? Deixe sua opinião nos comentários abaixo e contribua com a conversa sobre políticas que afetam diretamente a vida das mulheres no Brasil.

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