Quem são “rauls, tripeiros e conteiros” em rede milionária de golpes

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As investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre o estelionato digital em larga escala no estado revelam que o esquema tem uma estrutura coordenada e divisão de papéis bem definida. A operação deflagrada no fim de fevereiro, denominada Fim da Fábula, derrubou o funcionamento do grupo, com bloqueios de bens, imóveis e contas bancárias, além de mandados de busca, apreensão e prisão temporária. Ao todo, foram identificados pelo menos 36 imóveis vinculados aos investigados, centenas de veículos e embarcações, muitos em nome de laranjas ou de empresas ficciais, e o bloqueio de até R$ 100 milhões por conta.

Dentro da rede fraudulenta, há uma separação de funções que organiza as ações ilícitas. O Raul é o estelionatário que detém o know how criminoso, responsável por ludibriar vítimas por meio de engenharia social, fraude de documentos e sistemas eletrônicos, além de praticar outros golpes típicos. O Tripeiro atua recrutando pessoas dispostas a emprestar suas contas para movimentar os valores obtidos ilegalmente pelos Rauls. Já os Conteiros — conhecidos como Laranjas — fornecem contas bancárias para movimentar o dinheiro, com a remuneração variando de acordo com o acordo, normalmente entre 5% e 10% sobre o valor movimentado.

Segundo a Polícia Civil, os Tripeiros também gerenciam os Conteiros, que aceitam emprestar suas contas mediante recompensa financeira. A investigação aponta uma clara divisão de patamares entre os criminosos, com os Rauls ficando com cerca de 90% dos valores obtidos, e o restante distribuído entre Tripeiros e Conteiros. No entanto, há debate sobre a existência de uma estrutura típica de organização criminosa, pois a atuação tende a ocorrer sem uma hierarquia rígida nem mando centralizado, o que dificulta enquadramentos legais tradicionais.

A operação foi denominada “Fim da Fábula” e, no fim de fevereiro, contou com a atuação do Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo. Além de identificar imóveis, veículos e embarcações vinculados aos investigados, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis, bem como a indisponibilidade de 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, com limite de até R$ 100 milhões por conta.

No dia da deflagração, foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária, com o bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados. Cerca de 400 policiais civis e promotores participaram da operação, que ocorreu de forma simultânea em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Os recursos da investigação revelam a complexidade do golpe, que envolve aquisição de bens de terceiros, uso de empresas de fachada e redes de apoio capazes de movimentar valores obtidos irregularmente.

Historicamente, o caso ilumina uma tendência recente de estelionatos digitais que vão além do golpe isolado, estruturando equipes com papéis específicos, mesmo sem uma hierarquia rígida. A investigação aponta para uma rede que opera através de múltiplos elos — desde quem elabora a fraude até quem viabiliza a circulação do dinheiro — demonstrando a sofisticação com que criminosos exploram plataformas eletrônicas e instituições financeiras. O desfecho ainda está em curso, mas a fiscalização já reforça a importância de vigilância constante e de cooperação entre órgãos para desmantelar esse tipo de prática.

E você, o que pensa sobre a evolução dos golpes digitais e a forma como eles são estruturados hoje em dia? Deixe seu comentário abaixo com suas dúvidas, experiências ou opiniões sobre como enfrentar esse tipo de crime. Sua participação ajuda a ampliar o debate e a conscientizar a cidade sobre medidas de prevenção e segurança.

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