A Creche da Universidade Federal da Bahia (UFBA) permanece fechada mesmo com o retorno do semestre, iniciado em 9 de março, gerando pressão de famílias que dependem do serviço para conciliar trabalho e cuidado com as crianças. Mães dependentes enviaram uma carta à reitoria cobrando o reconhecimento da creche como serviço essencial durante a greve dos servidores técnico?administrativos. Em resposta, as famílias pedem que haja um retorno parcial para minimizar impactos no dia a dia de quem precisa dar continuidade à vida profissional. A UFBA afirma reconhecer o direito de greve e busca o diálogo para assegurar a manutenção das atividades essenciais, sem contudo detalhar se houve reunião sobre o tema nem explicar como ficam os demais funcionários.
Historicamente, a creche havia sido tratada como área prioritária durante períodos de greve. Em 2024, a instituição fechou um acordo no qual atividades da Pro?Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae), incluindo a creche, foram consideradas essenciais e asseguraram funcionamento por três dias na semana. Sem uma nova decisão institucional na retomada de 2026, as atividades voltaram a ficar interrompidas, Impactando 24 famílias que enviaram a denúncia. A falta do serviço cria dilemas práticos: mães que não têm rede de apoio precisam levar as crianças ao trabalho ou faltar.”
Uma das mães ouvidas pela reportagem descreveu a situação com contundência: “Não tenho plano B. Não tenho rede de apoio aqui em Salvador. Se não tem creche, minha filha vai comigo para o trabalho ou eu tenho que faltar.” Ela, professora que supervisiona estágios em clínica?escola, afirmou que não faz sentido a criança estar nos ambientes de trabalho quando há uma creche na UFBA para atender aos filhos. A experiência de outras mães revela dificuldades semelhantes, refletindo a dependência da creche para manter a rotina profissional das famílias da localidade.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Técnico?Administrativos da UFBA (Assufba), apenas 12 funcionários da creche aderiram à paralisação, o que indica que terceirizados e professores que atuam no local não integram o grupo em greve. A entidade informa que o quadro de servidores afetados é limitado, mas que os impactos são sentidos pelas mães que utilizam o serviço. A UFBA reiterou que reconhece o direito de greve e que busca o diálogo para assegurar a manutenção das atividades prioritárias, sem, no entanto, detalhar se houve reuniões específicas para tratar da creche.
Em nota, a universidade informou ainda que está promovendo um pagamento emergencial de R$ 360, destinado a estudantes com filhos assistidos pelo serviço, como forma de minimizar os impactos da interrupção. O processo foi instaurado pela Pró?Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil (Proae) e já está concluído no Núcleo Financeiro, com os pagamentos sendo creditados com prioridade nas contas dos estudantes. A UFBA divulgou a íntegra da nota, destacando o reconhecimento do direito de greve e a busca por soluções para manter as atividades essenciais, inclusive o repasse financeiro emergencial para quem depende da creche.
Em síntese, a UFBA enfrenta o desafio de equilibrar o direito de greve com a garantia de um serviço essencial para famílias que dependem da creche para manter suas atividades profissionais. A expectativa é por um posicionamento institucional claro e por medidas que assegurem funcionamento mínimo da creche, mesmo em meio a mobilizações dos trabalhadores. A situação acende o debate sobre a importância de serviços de apoio à educação superior como infraestrutura básica para a comunidade acadêmica, especialmente diante de greves que afetam diretamente a vida cotidiana de estudantes, mães e profissionais da casa.
E você, leitor, já viveu a dificuldade de equilibrar trabalho e cuidado infantil em situações de greve ou interrupção de serviços na universidade? Compartilhe sua experiência nos comentários e diga como seria a solução ideal para manter a creche funcionando durante períodos de mobilização. Sua opinião pode ajudar outros leitores a entenderem o desafio e as possíveis saídas para manter o suporte à educação e à família.

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