Transição para motos elétricas esbarra no alto custo e na baixa durabilidade dos pneus

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Resumo: a transição brasileira para motos elétricas e as novas regras de emissão acenderam uma corrida tecnológica nos pneus. Com o peso maior das baterias, o torque imediato dos motores e a necessidade de manter a mobilidade urbana, fabricantes e concessionárias repensam materiais, reposição e serviços de pós-venda. O resultado é uma reconfiguração da cadeia de suprimentos, com foco em pneus de duplo composto, maior durabilidade efetiva e custos sob controle nos próximos anos.

A implantação da quinta fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot 5) obrigou montadoras a equipar motos com catalisadores maiores e sistemas de injeção mais complexos. Isso aumenta o peso dos veículos, especialmente nas motos a combustão, mas para as elétricas o desafio é ainda maior: o conjunto de baterias de lítio eleva o centro de gravidade e exerce uma carga contínua sobre o eixo traseiro. Com o torque elétrico liberado de forma instantânea, a aderência da roda depende de compostos de borracha extremamente macios que, por sua vez, sofrem desgaste acelerado.

Essa realidade força a indústria a apostar em pneus com perfil arredondado, desenhados para inclinar nas curvas. A área de contato com o asfalto fica diminuta, aproximadamente do tamanho de um cartão de crédito, o que eleva a exigência de aderência em cada arrancada. Em linhas de produção, os laboratórios trabalham para desenvolver borrachas que mantenham a tração sem comprometer a durabilidade, buscando equilíbrio entre aderência lateral e resistência ao atrito em uso urbano intenso.

O efeito já se sente na prática. Fornecedores globais que abastecem as linhas de montagem aceleraram o lançamento de pneus de duplo composto, com núcleo mais duro para resistência em motorização em linha reta e bordas mais macias para segurança nas curvas. Essa tecnologia, outrora restrita a modelos de alto desempenho, começa a ganhar escala para o mercado urbano, exigindo ajustes logísticos nas concessionárias e redes de oficinas credenciadas.

O impacto financeiro não é pequeno. O fluxo de estoque de peças de reposição e balanceamento disparou, gerando filas por medidas específicas de pneus que não acompanharam a velocidade de venda de scooters e motos elétricas. Distribuidores relatam a necessidade de revisar o volume de borracha vulcanizada importada para o último trimestre, sob o risco de faltar itens cruciais justamente no momento de maior uso da frota urbana.

Essa dinâmica eleva o custo de reposição dos pneus e coloca em dúvida a economia associada ao uso de veículos elétricos. Mesmo com isenções de IPVA em alguns estados e serviços de recarga mais baratos, o preço por quilômetro rodado salta quando se considera a troca de pneus a cada oito meses em média. Seguradoras também ajustam prêmios, levando em conta o risco de acidentes por aderência insuficiente em pneus desgastados, o que, por sua vez, afeta o valor de revenda de motos usadas e a confiabilidade da frota.

Para o motociclista, fica essencial acompanhar o indicador TWI, o ressalto de borracha nos sulcos que sinaliza o desgaste. Se o sulco atingir o limite antes de 5 mil quilômetros em uso urbano normal, pode haver calibragem inadequada, desalinhamento ou frenagens e acelerações bruscas. O desgaste acelerado também é resultado direto do turismo de torque dos motores elétricos, que entregam força máxima de maneira instantânea, arrancando micropartículas do composto de borracha a cada saída de semáforo.

Existe ainda uma diferença química fundamental entre pneus de carro e de moto. Pneus automotivos costumam usar compostos com alto teor de sílica e negro de fumo para resistência térmica e peso, buscando durabilidade. Já pneus de moto priorizam polímeros voltados para aderência elástica, o que sacrifica um pouco a abrasão para evitar escorregamentos. O resultado é claro: a mobilidade urbana nos próximos cinco anos dependerá de avanços em materiais capazes de reduzir o desgaste sem sacrificar a segurança, abrindo caminho para baterias de estado sólido que prometem reduzir o peso do conjunto veicular em até 40% e aliviar a pressão sobre as rodas.

Na prática, a cadeia de suprimentos se reorganiza. Concessionárias e oficinas observam maior demanda por reposição e balanceamento, enquanto o mercado se prepara para o ajuste de custos com a transição energética. A expectativa é de que novos pneus com centro mais duro e extremidades mais macias cheguem ao varejo em escala, permitindo que a frota urbana mantenha aderência confiável sem romper o orçamento familiar ou corporativo. A aposta: unir inovação em borracha a avanços em baterias para manter a confiabilidade do transporte público e de serviços de entrega em cidades cada vez mais conectadas e movidas pela eletricidade.

Como você vê a evolução dos pneus no cenário de motos elétricas na cidade? Quais cuidados você adota para manter a aderência e reduzir custos com reposição? Compartilhe suas experiências e opiniões nos comentários para continuarmos essa conversa sobre mobilidade, tecnologia e economia no dia a dia da nossa cidade.

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