Atravessar uma rua movimentada em Salvador pode ser um desafio de paciência e, muitas vezes, de sorte para quem possui deficiência visual. Pensando nisso, a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) está desenvolvendo um projeto para ampliar o número de semáforos sonoros na capital baiana. A previsão da autarquia é que os novos dispositivos sejam instalados em 20 cruzamentos estratégicos da cidade até o final de 2026.
O objetivo da medida é garantir autonomia e segurança na travessia. O sistema opera por meio de sinais acústicos integrados ao ciclo semafórico:
Sinal verde para pedestres: O equipamento emite um som intermitente ou contínuo para indicar que a passagem está liberada; Sinal vermelho para pedestres: O som é interrompido ou alterado para um bip de alerta, indicando que o tráfego de veículos foi retomado. Segundo Everaldo Neris, presidente da Associação de Cegos da Bahia (ACB), a iniciativa é fruto de uma provocação direta feita pela instituição. Para definir os pontos prioritários, a ACB realizou uma enquete com seus cerca de 300 associados e usuários frequentes, focando em locais de “fluxo vivo” da comunidade. Os critérios para avaliação dos locais foram:
Entorno de instituições de apoio: Proximidade de centros de reabilitação e atendimento a pessoas com baixa visão; Polos de educação e esporte: Áreas próximas a colégios e grandes arenas, como a Casa de Apostas Arena Fonte Nova; Centros comerciais e terminais: Locais como a Lapa e o Campo da Pólvora, onde a independência de locomoção é vital para o exercício da cidadania. Os pontos sugeridos pela ACB para análise técnica da Transalvador contempla gargalos históricos de acessibilidade em Salvador:
Em frente à Arena Fonte Nova, em ambos os sentidos; Um ponto anterior à entrada da Lapa, no Vale do Tororó; Rua General Labatut, nas proximidades do Colégio Assunção; Rua da Piedade, nas imediações do Center Lapa; Bairro do Canela, nas proximidades do Hospital das Clínicas; Avenida Joana Angélica, em frente ao Colégio Central; Campo da Pólvora, nas imediações da estação de metrô; Entrada do Vale das Pedrinhas, nas proximidades da estação do BRT; Praça da Piedade, no sentido Castro Alves; Saída da Estação Pirajá, na área de acesso ao pátio/estoque de ônibus; Barbalho, em frente ao Colégio Getúlio Vargas; Praia da Preguiça, em frente ao Restaurante Amado. Até então, o cenário de Salvador era considerado precário, com dispositivos operacionais concentrados quase exclusivamente no bairro do Barbalho. A nova etapa do projeto promete tecnologia atualizada e integrada ao Centro de Controle Operacional (CCO) da Transalvador.
Para os associados da ACB, a instalação desses equipamentos representa mais do que tecnologia, representa liberdade. “Com essa instalação, as pessoas cegas não vão mais ficar para trás”, destacou Everaldo. Poder atravessar a rua confiando no som que guia seus passos, sem depender da sensibilidade ou do auxílio de terceiros, é o verdadeiro significado de acessibilidade urbana.

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