Resumo: Em seu primeiro sermão de Páscoa na Catedral de Canterbury, a Arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, pediu o fim da violência no Oriente Médio e ligou a ressurreição de Cristo à esperança de paz para uma região marcada pela guerra. Ela enfatizou que a Páscoa convoca não apenas devoção, mas ação prática entre moradores e lideranças, destacando a necessidade de cuidar uns dos outros e de buscar justiça mesmo diante do sofrimento.
No cerne do sermão, Mullally recorre à leitura do Evangelho de João sobre a ressurreição, insistindo que a escuridão não é apenas ausência de luz, mas espaço onde o Espírito atua. Ela lembra que o Cristo ressuscitado está ao lado de quem chora e chama para a vida, mesmo quando a dúvida parece tomada pela noite. A comparação com a vigília de enfermeiras, cuidadores em hospitais e familiares que seguram a mão de quem não dorme, serve para unir fé e serviço, colocando a prática do cuidado no coração da esperança pascal.
Mullally estendeu a reflexão para o mundo ao falar sobre o convite pascal para um relacionamento com Deus, em que Jesus não exige certezas, mas oferece presença. Em carta ecumênica dirigida aos líderes da igreja, a arcebispa argumentou que o enredo da Páscoa ajuda a entender um cenário de profundo sofrimento e conflito, incluindo guerras no Oriente Médio, na Ucrânia e no Sudão. O apelo é claro: reconhecer a dor, rezar pela paz e buscar ações que promovam dignidade, liberdade e proteção para quem é atingido pela violência.
A trajetória de Mullally antes e durante a posse também é parte da mensagem: ela recentemente tornou-se a primeira mulher a ocupar o posto máximo na Igreja da Inglaterra. A preparação espiritual incluiu uma peregrinação a pé de seis dias até Canterbury, um rito que a acompanhou desde a tradição da instituição, sinalizando compromisso com uma liderança que entende o cuidado humano como responsabilidade coletiva. A condução da cerimônia de empossemento é vista, por moradores da cidade, como um marco histórico para a igreja anglicana no país.
Os relatos de violência na região foram apresentados com cuidado, lembrando que a guerra entra em sua sexta semana. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, pelo menos 2.000 pessoas morreram no Irã; autoridades libanesas estimam mais de 1.300 mortes no Líbano, enquanto forças israelenses intensificam ataques a posições do Hezbollah. A partir dessas tragédias, estima-se que milhões tenham sido deslocadas em toda a região, uma realidade que amplia o apelo por paz e proteção humanitária.
Ao encerrar, Mullally reforçou a ideia de que a fé não é fuga da dor, mas uma via para agir na prática. A mensagem da Páscoa, com sua lembrança de luz que vence a escuridão, convoca moradores, líderes religiosos e políticos a caminhar juntos em direção a soluções que devolvam esperança, justiça e liberdade. Que esta passagem pela Páscoa inspire ações concretas de paz na cidade, no país e na região. Compartilhe nos comentários como você enxerga o papel da fé na construção de um futuro mais sereno.

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