Associação do rifle que recebeu emendas é ligada à família imperial

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Resumo direto: A Associação Nacional do Rifle (ANR), ligada a simpatizantes do monarquismo e com Dom Bertrand de Orleans e Bragança como patrono, recebeu R$ 2,3 milhões em emendas parlamentares de deputados bolsonaristas para financiar tiros esportivos e iniciativas associadas. Os recursos apoiam um congresso de tiro, atividades de tiro ao prato e um programa de saúde mental vinculado à prática de tiro. O texto também aponta vínculos da ANR com o movimento monarquista brasileiro, além de destacar a presença de membros da família imperial em eventos ligados à entidade.

A ANR atua na região de Saltinho, na Rodovia Cornélio Pires, onde fica o clube Redneck, propriedade do presidente da entidade, Rafael Zampaulo. A organização se apresenta como defensora dos direitos e interesses de Caçadores, Atiradores e Caçadores (CACs), buscando representar as aspirações de seus membros junto ao Poder Público e à iniciativa privada. Em seu site, a ANR descreve Dom Bertrand como patrono da associação e de um clube de tiro monarquista, reforçando a ligação entre o esporte de defesa e o movimento monarquista brasileiro.

Entre 2024 e 2025, três emendas enviadas por parlamentares aparecem em execução, totalizando R$ 2,3 milhões. Uma delas, no valor de R$ 1,3 milhão, destina-se à realização do 1º Congresso Rifle de Tiro Esportivo, previsto para Saltinho, no Redneck Clube. A justificativa, apresentada pela emenda, aponta o objetivo de fortalecer o tiro esportivo amador e elevar habilidades psicológicas, físicas e sociais dos participantes, contribuindo para a formação de cidadãos mais disciplinados.

Outra emenda, de R$ 490 mil, financia atividades de tiro ao prato voltadas a 312 adultos, enquanto uma terceira, de R$ 539 mil, destina-se a um projeto ligado à saúde mental, envolvendo 60 beneficiários que participariam de sessões regulares de tiro esportivo. Conforme o relato oficial, as propostas pretendem ampliar o alcance do esporte de tiro e associar essa prática a benefícios de bem-estar e cidadania na região.

A cobertura também ressalta o envolvimento pessoal de figuras políticas associadas à bancada bolsonarista. Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL) enviou duas emendas, e Mario Frias (PL) encaminhou uma terceira, com valores significativos. Ambos aparecem, de acordo com a publicação, conectados a círculos de CACs e ao ativismo armamentista. O texto descreve ainda que Luiz Philippe havia sido eleito em 2022 com doação de R$ 50 mil de um empresário listado como diretor da AniAm, órgão ligado ao setor de armas.

O diário também aponta que Frias, quando secretário especial de Cultura no governo anterior, integrou visitas a clubes de tiro como parte de roteiro oficial financiado com recursos públicos, reeditando a prática de articular cultura e atividades de tiro esportivo sob a ótica de políticas públicas, o que gerou questionamentos sobre prioridades de investimento do governo federal.

Em relação à documentação e à comunicação, a reportagem aponta que a ANR não respondeu aos contatos realizados por telefone e e-mail, deixando espaço para manifestações oficiais dos deputados citados. Além disso, a matéria descreve a relação entre o movimento monarquista brasileiro e a atuação da ANR, destacando a presença de Dom Bertrand em visitas ao clube de tiro e a exaltação de símbolos reais, como a coroa no brasão da associação.

Os dados também situam a ANR na região da Saltinho, na mesma estrada que abriga o Redneck Clube, ampliando a percepção de que a entidade atua em um polo de caça, tiro esportivo e redes de apoio institucional com fortes laços com figuras públicas e com o movimento monarquista. A reportagem cita ainda a declaração de Dom Bertrand, que, segundo o portal da Casa Imperial, afirma que os esportes de tiro são praticados mundialmente e que ele próprio participa há anos, mantendo a tradição associativa entre o esporte e a monarquia.

O conjunto de informações descrito aponta para uma interseção entre esporte, política e um movimento monarquista no Brasil, com a ANR ocupando um espaço de atração de recursos públicos para fins associados a atividades de tiro e saúde mental, ao mesmo tempo em que reforça laços com figuras da esfera imperial e bolsonarista. A matéria encerra destacando que as emendas continuam em execução e que a falta de resposta oficial por parte da ANR mantém o espaço para novas declarações por parte dos envolvidos e de especialistas que acompanham o tema.

Sua opinião importa. Você acredita que o uso de emendas para apoiar atividades esportivas de tiro deve ser avaliado com mais rigor, levando em conta impactos à segurança pública e à transparência? Deixe seu comentário e compartilhe sua visão sobre o papel de organizações associativas nesse cenário, especialmente quando existem vínculos com movimentos políticos e figuras de alta visibilidade.

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