Resumo: nesta sexta-feira, a Operação Eixo, deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), bloqueou quase 1 bilhão de reais em ativos ligados a uma rede criminosa que operava entre o Distrito Federal e o Rio de Janeiro, ampliando uma investigação que apontou, entre outros aspectos, oficinas de treinamento com armas de grosso calibre, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e uma estrutura criminosa de atuação interestadual.
A ofensiva mobilizou 40 mandados de prisão temporária, com validade de 30 dias, além de 56 buscas e apreensões em diversos endereços. Também foram determinadas medidas como a indisponibilidade de bens de 49 alvos, o sequestro de veículos e de três imóveis, e o bloqueio de criptoativos, todos voltados a interromper a operação financeira da quadrilha.
As investigações identificaram dois núcleos centrais de atuação no Distrito Federal, vinculados a facções rivais. Um dos investigados ocupava cargo relevante na logística da organização, respondendo pela remessa de grandes carregamentos de entorpecentes oriundos de outros estados para Brasília, consolidando o papel da capital federal como polo de abastecimento.
A Draco aponta que a rede buscava importar para Brasília o modelo de violência e domínio territorial já observado no Rio de Janeiro, fortalecendo uma dinâmica de violência interestadual. O esquema contou com o suporte de estrangeiros, entre eles dois colombianos e um venezuelano, ampliando a complexidade da operação.
Um dos colombianos já era investigado pela Polícia Federal por lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV) no Amazonas e tinha nome na difusão vermelha da Interpol; ele foi capturado em outubro do ano passado na Espanha, demonstrando a articulação internacional da quadrilha. As punições previstas variam de 11 a 33 anos de reclusão pelos crimes de tráfico, organização criminosa majorada e lavagem de dinheiro.
A apuração também revelou que, pelo menos, três faccionados deixaram o DF para o Complexo da Maré, no Rio, para participar de um que a investigação descreve como um “estágio de guerra”. Em um cenário descrito como um “workshop do fuzil”, eles teriam recebido instruções táticas em um território marcado por confrontos entre facções rivais. Imagens obtidas pela Draco mostram os alvos com fuzis nas vielas da Maré, evidenciando o intercâmbio tático e a gravidade da conexão interestadual.
As evidências sugerem que a rede, ao se estruturar de forma profissionalizada, abastecia o mercado de drogas no DF e ocultava lucros por meio de mecanismos de lavagem. Além disso, a investigação apontou uma atuação fora do Distrito Federal, com atuação em áreas como Asa Norte, Ceilândia, Samambaia, Guará e Lago Norte, e um alcance que se estende a sete estados. A PCDF, no entanto, afirmou não haver indicícios de uma estrutura de comando própria das facções cariocas no DF, sinalizando que a principal linha de atuação era a gestão de núcleos à distância, com controle por meio de redes ligadas a esses grupos.
A Operação Eixo surge, portanto, como um esforço para sufocar o avanço desses núcleos, responsabilizando toda a cadeia hierárquica envolvida. A colaboração entre órgãos de segurança estaduais e federais é destacada como essencial para desmantelar uma rede com forte coordenação interestadual e com ligações a atores estrangeiros que ajudam a movimentar recursos financeiros e logísticos.
Galeria de imagens da operação







Este texto não apenas relembra a operação em si, mas também coloca em evidência a necessidade de continuidade do trabalho de inteligência e fiscalização para evitar que redes criminosas recuperem forças em território nacional. A cada desmantelamento, surgem novas perguntas sobre a logística, o financiamento e as estratégias de recrutamento que mantêm esses grupos ativos, exigindo resposta integrada entre as polícias e o Ministério Público.
E você, leitor: que impactos você acredita que ações como a Operação Eixo podem trazer para a segurança pública em suas regiões? Deixe seu comentário com Insights, perguntas ou sugestões para melhorar a atuação das autoridades na prevenção da violência e do crime organizado.
