Sob forte tensão, Israel e Líbano têm negociações nos EUA nesta 3ª

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Resumo: Representantes de Líbano e Israel iniciaram negociações diretas em Washington, mediadas pelos EUA, pela primeira vez desde os anos 1980, com foco no desarmamento do Hezbollah e na abertura de caminhos para a paz. A reunião, sob a supervisão do secretário de Estado Marco Rubio, reúne Israel (embaixador Yechiel Leiter), Líbano (embaixadora Nada Hamadeh Moawad) e a delegação norte-americana para testar possibilidades de acordo. O cenário é tenso: o Hezbollah e o Irã contestam o processo, o conflito se prolonga e há pressões políticas internas em Israel que podem influenciar o ritmo das negociações.

No Washington, o encontro envolve o embaixador de Israel no país e a representante do Líbano, com a participação de Michel Issa, embaixador norte-americano no Líbano, e Mike Needham, funcionário do Departamento de Estado. A configuração indica uma tentativa de avançar em negociações diretas, com a presença de mediadores que conhecem bem a região e seu histórico de desconfianças.

Segundo informações citadas pelo portal Ynet, a estratégia de Israel é conduzir as negociações com o Líbano como se o Hezbollah não existisse, mantendo operações militares contra o grupo como se não houvesse negociações em curso. A leitura de fontes próximas é de que o governo israelense busca ganhos políticos e militares ao mesmo tempo em que tenta preservar espaço para negociações com o governo libanês sem que a presença do Hezbollah interfira de forma decisiva no processo.

O tema central das conversas é o desarmamento do Hezbollah, considerado essencial para qualquer estabilidade duradoura na região. Informações apuradas pela RFI indicam que oficiais israelenses nutrirem pouca expectativa de que o governo libanês tenha capacidade real para cumprir esse objetivo. Enquanto isso, o Irã, maior aliado do Hezbollah, sinaliza forte oposição a mudanças no status quo. Ali Akbar Velayati, assessor do líder supremo iraniano, disse que Nawaf Salam deveria entender que ignorar o papel da resistência e do Hezbollah expõe o Líbano a riscos de segurança irreparáveis.

No Líbano, o governo tenta se afastar da influência do Hezbollah para facilitar qualquer acordo com Israel, embora haja ceticismo entre as autoridades israelenses sobre a viabilidade de compromissos que desarmem o grupo. A orientação parece ser avançar com a negociação sem subordinar completamente o processo à resistência, mas a dúvida persiste sobre a capacidade de implementação de qualquer cessar-fogo ou acordo duradouro.

O alto comando israelense já deixou claro que não há espaço para cessar-fogo no Líbano, respaldo que encontra apoio em Netanyahu e no ministro da Defesa, Israel Katz. Essa posição ocorre em meio a tensões internas em Israel, com parte da população do norte do país expressando insatisfação com a condução da guerra pelo governo, o que amplia a pressão para uma estratégia que combine firmeza militar e recalibração diplomática. Dados de Haifa e regiões vizinhas indicam que 70% atribuem avaliação ruim ao governo em relação ao conflito, enquanto 25% concordam com avaliações positivas. A região norte representa cerca de 25% da população e tem peso político expressivo no Parlamento.

Após intensos ataques a Beirute, Netanyahu acionou uma moderação na condução dos confrontos, influenciado pela pressão internacional, incluindo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A sequência recente de destruição na capital libanesa elevou o custo humano e político de qualquer decisão de uso da força, exigindo uma leitura mais contida sobre ações futuras, inclusive para alcançar apoio doméstico em meio a críticas sobre a gestão da guerra.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, desde a retomada dos combates em 2 de março, 2.055 pessoas foram mortas, incluindo 167 desde a última sexta-feira. Do lado de Israel, o Hezbollah é apontado como responsável por 12 militares e dois civis mortos no mesmo período, de acordo com as autoridades locais. A escalada contínua reforça a tensão entre forças regionais e ressalta os dilemas de uma solução que permita a coexistência entre o Líbano, Israel e seus aliados, sem que a violência se torne regra.

Na Cisjordânia, a violência também persiste: colonos armados mataram seis palestinos, e cinco foram mortos por soldados, em informações monitoradas pela ONG Yesh Din. Entre 2005 e 2025, 93,6% dos inquéritos abertos pela polícia para casos de violência cometidos por colonos foram encerrados sem indiciamento. Entre 2016 e 2024, 2.427 denúncias de crimes cometidos por soldados contra palestinos ou suas propriedades foram registradas, com 552 investigações abertas e apenas 23 acusações formais apresentadas. Este panorama reforça a complexidade de qualquer trajetória de paz, que precisará endereçar não apenas negociações entre governos, mas também a dinâmica de violência no terreno.

A situação na região permanece sensível e multifacetada, com negociações em Washington sobre o possível desarmamento do Hezbollah, pressões internas em ambos os lados e um histórico de violência que complica qualquer perspectiva de paz de curto prazo. Queremos ouvir você: quais elementos devem orientar um caminho realista para a paz entre Israel e o Líbano? Deixe seu comentário e compartilhe sua visão sobre o que pode trazer estabilidade para a região.

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