Chefe da PM de SP entregou o cargo após citação em inquérito sobre PCC

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, o coronel José Augusto Coutinho pediu afastamento do cargo após ser citado em investigações que envolvem a atuação de PMs como seguranças de diretores da Transwolff, empresa de ônibus sob investigação de conexão com o PCC. Em meio ao episódio, o governador Tarcísio de Freitas nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli para substituir Coutinho, marcando a primeira vez que uma mulher comanda a PM no estado.

A denúncia ganhou contornos com depoimentos ligados à Operação, que tratam de um esquema de escolta e proteção de dirigentes da Transwolff, cujo contrato com a Prefeitura de São Paulo já foi rompido. O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro por escolta ilegal, mencionou o envolvimento de Coutinho ao descrever o funcionamento da rede que supostamente ligava PMs a dirigentes da empresa. A Polícia Civil e o Ministério Público apontam que o esquema incluía facilitadores ligados ao PCC e apontaram vínculos com membros da área de inteligência da Rota, a tropa de elite da PM.

Gaeco do Ministério Público de São Paulo informou que, em depoimento, promotor Lincoln Gakyia relatou que Coutinho teve conhecimento de outros sinais de irregularidade envolvendo PMs e o PCC e não tomou providências suficientes. Históricos do caso indicam que, em 2021, quando comandava a Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Coutinho foi alertado de que informações sigilosas estavam vazando para proteger a célula criminosa na zona leste da capital, denúncia que não resultou em ações concretas que pudessem impedir o desenrolar dos fatos.

As investigações ganharam novas luzes com o assassinato de Vinícius Gritzbach, delator de policiais e do PCC, ocorrido em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos. O inquérito resultou na prisão de três policiais e em buscas realizadas em 16 alvos, com a apreensão de R$ 1 milhão em espécie na casa de um dos investigados. Entre os dirigentes da Transwolff citados como beneficiários do esquema de escolta ilegal estavam Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Silvio Luís Ferreira, o Cebola, apontados como elo entre a facção criminosa e as operações de ônibus da região sul da capital.

A SSP limitou-se a informar que não comenta investigações em curso conduzidas pela Corregedoria, enquanto Coutinho ainda não se manifestou. O cenário sugere uma relação entre o uso de escoltas de PMs, a atuação de membros do PCC e estruturas privadas de transporte na capital.

Transwolff e PCC: o que está em jogo. A Transwolff e a UpBus tiveram seus contratos rompidos pela Prefeitura de São Paulo nos últimos meses após a Operação Fim da Linha, que apura lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de ônibus. O dono da Transwolff, Pandora, e o sócio da UpBus, Cebola, foram alvo de mandados de prisão. Segundo o Gaeco, a Transwolff recebeu apoio financeiro de R$ 54 milhões provenientes de atividades criminosas para participar de licitações do transporte público na capital. Juntas, as duas empresas operavam linhas nas zonas sul e leste, atendendo cerca de 700 mil passageiros.

As revelações indicam uma cadeia de relações entre o crime organizado e atores ligados aos transportes, que permitiram benefícios financeiros e logísticos para a manutenção de estruturas de poder paralelas à administração pública. As investigações seguem em curso, buscando esclarecer a extensão da participação de autoridades e de agentes de segurança nesse esquema.

Este caso evidencia a complexa interdependência entre forças de segurança, instituições públicas e estruturas privadas que movimentam recursos significativos na cidade. As próximas semanas devem trazer novos desdobramentos sobre a responsabilidade de autoridades, oficiais e empresários envolvidos, bem como sobre as medidas que a Justiça e o Ministério Público pretendem adotar para coibir práticas ilegais e proteger os cidadãos.

E você, leitor, como interpreta o equilíbrio entre combate à criminalidade e necessidade de transparência em operações que envolvem forças de segurança e empresas de transporte? Deixe seu comentário com suas opiniões e perguntas para fomentar um debate responsável sobre esse tema tão relevante para a cidade e seus moradores.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Filho revela que Oscar Schmidt lutava contra sequelas de novo tumor

Resumo em uma frase: Oscar Schmidt, referência do basquete nacional, faleceu após lutar contra um tumor no cérebro; a família revelou que uma...

Homem invade casas e mata 8 crianças a tiros nos EUA; vítima seria parente do atirador

Um ataque a tiros registrado na madrugada de domingo, em Shreveport, no estado da Louisiana, deixou oito crianças mortas, com idades entre 1...

Menores exibem furto nas redes sociais e acabam apreendidos no litoral

Resumo: Dois adolescentes de 17 anos foram detidos pela Guarda Civil Municipal de Praia Grande, no litoral de São Paulo, ao circularem numa...