Alcolumbre faz manobra para reduzir pena de Bolsonaro sem mudar penas de condenados por crimes hediondos

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, articulou uma estratégia para viabilizar a votação do veto ao PL da Dosimetria. Em vez de enfrentar o veto como um todo, ele decidiu fatiar a análise, retirando do trecho vetado a parte que reduziria o tempo de progressão de penas para condenados. A proposta em pauta é o PL 2.162 de 2023, que tramita no Congresso e trata de penas para condenados por tentativa de golpe de Estado ligadas aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A sessão marcada para esta quinta-feira adianta a discussão do veto diante de uma pauta com mais de 50 vetos.

Segundo aliados de Alcolumbre, a retirada dos incisos 4 a 10 do art. 1 do PL da Dosimetria – que modificam o art. 112 da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984) – evita um reestabelecimento de dispositivos que poderiam mudar o mérito das normas. Em linguagem prática, a manobra visa manter intacta a direção já traçada pelo Congresso nas propostas que tratam de dosimetria e de endurecimento de regras de progressão de penas. O senador afirmou que a retirada não prejudica a lógica das mudanças aprovadas, apenas impede que o veto tenha efeitos distintos do que foi acordado anteriormente.

A sessão de hoje terá pauta única, com o veto à Dosimetria na frente de uma fila de mais de 50 propostas a serem votadas. A derrubada do veto poderia favorecer não apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro, como também outros investigados no caso da chamada trama golpista, ao influenciar o tempo de cumprimento de penas para quem esteve envolvido em tentativas de ruptura democrática. O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, sustenta que não há precedente para fatiar um veto integral e que a fase de elaboração do projeto já ficou para trás.

Randolfe argumentou que, depois do veto presidencial, não cabe mais dividir a discussão em partes e que o Congresso precisa concordar ou não com o veto final, conforme o rito vigente. A liderança do governo fez uma contestação formal contra o fatiamento, mas, apesar do embate, o presidente do Senado manteve a decisão de seguir com a avaliação do tema na ordem do dia. As informações respaldam a leitura de que a movimentação busca equilíbrio entre as mudanças já aprovadas e a necessidade de evitar retrocessos no enfrentamento a questões de segurança pública.

Especialistas destacam que a decisão tem efeito direto no desenho das regras sobre progressão de penas e pode sinalizar como o Legislativo pretende conduzir pautas sensíveis à governabilidade. Além de indicar uma leitura sobre o peso político de cada veto, o debate também levanta perguntas sobre o uso estratégico do poder imperial na regulação de sanções penais. O caminho que o Congresso escolher nesse processo refletirá, de maneira prática, o relacionamento entre leis penais e a estabilidade institucional em meio a tensões políticas recentes.

E você, morador da cidade, qual é a sua leitura sobre a possibilidade de fatiar um veto presidencial e as consequências para o funcionamento do governo e a democracia? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como enxerga o papel do Parlamento na construção de regras mais duras ou mais flexíveis no âmbito penal.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

VÍDEO: Lula defende fim da escala 6×1, critica bets e anuncia nova etapa do etapa do Desenrola Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende o fim da escala de trabalho 6x1 e apresenta medidas para apoio à cidade endividada,...

PMs de Minas são filmados dando mata-leão, soco e tapas em suspeito. Vídeo

Belo Horizonte Uma operação policial desencadeada durante uma patrulha de combate ao tráfico em Campina Verde, no Triângulo Mineiro, gerou debates sobre o...

Novo ‘Resident Evil’ ganha trailer assustador e promete reboot radical da franquia

Resumo rápido: o novo trailer de Resident Evil sinaliza um reboot mais sombrio e claustrofóbico, centrado na sobrevivência, sob a direção de Zach...