Resumo curto: estudantes da USP invadiram a reitoria durante manifestação na Cidade Universitária, no Butantã, na quinta-feira, 7 de maio de 2026. A greve, que já dura desde 14 de abril, reivindica reajustes no PAPFE, principal programa de assistência estudantil. A ação resultou em danos ao prédio, a presença da Polícia Militar e a continuidade das negociações ainda sem acordo.
Durante o ato organizado pelo Diretório Central dos Estudantes, os alunos entraram no prédio da reitoria com bandeiras e bastões de fumaça. Um vídeo mostra a porta sendo derrubada e o grupo percorrendo o jardim até chegar ao hall, onde cantaram contra o reitor Aluísio Segurado: “Ó, Aluísio, preste atenção, o seu palácio vai virar ocupação”. A invasão ocorreu após um cordão de bloqueio humano na entrada ter sido desmontado pelos manifestantes.
O PAPFE é o foco da divergência. Atualmente, os benefícios variam de cerca de R$ 330 a R$ 885 mensais, além da gratuidade nos restaurantes universitários. A reitoria propôs reajuste com base no IPC-FIPE, elevando o valor integral para R$ 912 e o auxílio com moradia para R$ 340. Os estudantes defendem o piso do salário mínimo paulista, de aproximadamente R$ 1.804, e a ampliação do programa para mais estudantes.
A universidade informou que, em abril, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós?graduação. O orçamento para 2026, destinado a auxílios, moradia, restaurantes, esporte e saúde, é de cerca de R$ 461 milhões. Além disso, as condições dos restaurantes universitários estão entre as principais queixas, com relatos de qualidade de alimentação ruim e, recentemente, de problemas de higiene em unidades como a da Faculdade de Direito.
As negociações já haviam sido abertas pela reitoria, mas os pró-reitores recusaram encontros adicionais quando as propostas não foram aceitas. Antes da invasão, os manifestantes bloquearam a entrada com um cordão humano e reagendaram um novo ato para as 14h, que acabou desembocando na ocupação do prédio. A Polícia Militar permanece no local para manter a segurança e evitar ocupação de outros espaços da instituição pela cidade.
A greve teve origem na criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace) para docentes. Após mobilização, a categoria conquistou a isonomia na medida e encerrou a paralisação. Os estudantes, no entanto, decidiram manter o movimento e ampliar as reivindicações ligadas à permanência estudantil, cobrando avanços nos serviços da universidade. Moradores da região, leitores e interessados são convidados a acompanhar os desdobramentos e a compartilhar suas opiniões nos comentários. Qual é a sua leitura sobre o equilíbrio entre orçamento universitário e melhoria das condições para quem sustenta a rotina acadêmica?
