Para especialista, BH precisa de novo rodoanel com “contorno mais eficiente”

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Belo Horizonte anuncia duas novas áreas de escape no Anel Rodoviário, com obras previstas para o fim de 2026. Cada uma deve custar entre 10 e 15 milhões de reais. A medida surge após um engavetamento que mobilizou 14 veículos na descida de Betânia, mas divide opiniões entre especialistas, que veem a iniciativa como paliativa diante de um problema estrutural de longo prazo. Em 2026, já foram registrados 1.125 acidentes nos primeiros quatro meses na via.

As novas áreas serão instaladas nos kms 539 (próximo ao Mipe) e 540 (próximo à entrada de Betânia), aproximadamente 1 km abaixo da estrutura existente no km 541. A prefeitura diz que as melhorias visam reduzir velocidades em descidas íngremes e evitar colisões graves, especialmente envolvendo caminhões.

Durante a coletiva, o prefeito Alvaro Damião enfatizou que a área de escape já prevista ajudou em situações anteriores, mas houve recaídas. Com as novas etapas, haverá uma segunda área de escape logo depois e, se necessário, uma terceira. A gestão também reforça a fiscalização de veículos pesados, que passarão a circular apenas pela faixa da direita, com monitoramento por câmeras.

Para o especialista Paulo Rogério Monteiro, pesquisador da FGV Transporte, as medidas são úteis no curto prazo, mas não resolvem o núcleo do problema. Ele defende a construção de um contorno viário mais eficiente, conectando Alphaville a Ravena, por Serra da Moeda, Brumadinho e Sarzedo, em cerca de 68 km, para capturar o trecho mais perigoso do atual Anel.

A PBH já inaugurou uma primeira área de escape, em 2022, com custo de cerca de R$ 3,5 milhões, que já foi acionada em mais de 20 ocorrências envolvendo caminhões, carretas e ônibus, evitando acidentes graves. O pacote atual prevê, ainda, pavimentação, melhoria de drenagem e limpeza da via para ampliar a segurança.

Monteiro também sugere um modelo de escape diferente, com uma pista de deslizamento contínua para reduzir o risco de colisões dentro da área de escape — inspirado em sistemas usados em outras rodovias brasileiras, como a Serra de Guaratuba, no Paraná. Ele alerta que soluções pontuais não substituem uma resposta de longo prazo para o Anel.

Dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais apontam que o Anel Rodoviário registrou 1.125 acidentes nos quatro primeiros meses de 2026, uma média de 9,4 por dia, mesmo com as ações municipais em vigor.

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