Resumo: O Distrito Federal vive uma ruptura política entre Ibaneis Rocha, candidato ao Senado, e Celina Leão, postulante ao governo. O choque, movido por um escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB, reconfigura a disputa e coloca em risco a gestão da cidade.
A crise ganhou contorno público quando Ibaneis afirmou estar desapontado com a aliada, e Celina rebateu com firmeza: “Sucesso nunca será submissão”. A troca de farpas sinalizou o fim de uma transição marcada pela tentativa de consenso, abrindo espaço para um embate direto entre as duas lideranças.
O estopim foi o escândalo do Banco Master. Celina busca distância de Ibaneis, ciente de uma herança administrativa problemática e de um rombo bilionário. A gestão de Ibaneis é apontada como fiadora de operações relacionadas ao BRB para a compra do banco, e o Banco Central acabou decretando a liquidação extrajudicial do Master.
A pressão jurídica se intensificou com a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que prendeu ex-dirigentes. A delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, fechou o cerco. Nas pesquisas, Ibaneis cai para a quarta ou quinta posição na disputa pelo Senado, refletindo o desgaste público acumulado.
No âmbito financeiro, relatos apontam movimentações milionárias ligadas a escritórios de advocacia próximos a Ibaneis, conforme informações do Coaf. Mensagens interceptadas pela PF também mostram cobranças por rápida transação e estratégias para conter o desgaste. Como consequência, a nova gestão do DF precisou cortar até 25% dos gastos de custeio. Celina concluiu o quadro ao dizer que cada um tem seu CPF e que o isolamento do ex-aliado é evidente.
Agora, o MDB avalia lançar um candidato ao governo na tentativa de frear o avanço de Celina Leão. Enquanto Ibaneis fica sob intenso escrutínio, Celina se posiciona para fortalecer a liderança regional e deixar claro que não cederá espaço diante de pressões. A disputa, que já não é apenas sobre propostas, tornou-se um retrato da crise de governança na cidade.
