Uma explosão em uma mina de carvão na província de Shanxi, no norte da China, tirou a vida de pelo menos 90 trabalhadores e deixou 123 feridos. O acidente ocorreu às 19h29 e envolve o desabamento de parte da estrutura subterrânea, com 247 operários no subsolo no momento. O episódio é considerado o mais grave do setor em 17 anos. O presidente Xi Jinping ordenou a mobilização de todos os recursos para o atendimento aos feridos e a investigação completa do ocorrido.
Uma força-tarefa com 755 profissionais de saúde e emergência está no local para resgatar sobreviventes e prestar assistência. Até a tarde de sábado, 33 feridos já haviam recebido alta. Um sobrevivente relatou à CCTV ter visto uma nuvem de fumaça e cheiro de enxofre antes de perder a consciência; ele recuperou os sentidos cerca de uma hora depois e saiu da mina junto de outros colegas.
As autoridades indicaram que o gás tóxico, gerado pela queima de gás metano (grisú), costuma surgir em explosões de carvão, especialmente quando a ventilação falha. Um dirigente da mineradora já foi detido para prestar esclarecimentos. A investigação busca esclarecer as causas exatas e reforçar as medidas de segurança no setor.
Apesar de melhorias nos protocolos de segurança e na transparência da cobertura, acidentes fatais continuam ocorrendo na China, maior consumidora mundial de carvão. Este é o pior desastre desde 2009, quando uma explosão em Heilongjiang deixou 108 mortos; mais recentemente, em 2023, um desabamento na Mongólia Interior tirou 53 vidas. O setor de carvão ainda emprega mais de 1,5 milhão de pessoas e é peça-chave da matriz energética do país.
A tragédia reacende o debate sobre segurança nas minas e leva autoridades a revisarem normas e fiscalização. A região de Shanxi, importante fornecedor de carvão, permanece sob mobilização de equipes médicas enquanto as apurações avançam e as lições são discutidas para evitar novos desastres.
