Resumo: o deputado Chico Alencar protocolou na PGR uma representação criminal contra o ex-secretário especial da Cultura, Mario Frias, por suspeita de rachadinha. A base são informações divulgadas pelo G1 sobre Gardênia Morais, ex-assessora que trabalhou no gabinete de Frias entre 2023 e 2024, que afirma repassar parte de seus vencimentos ao chefe de gabinete e arcar com despesas de familiares do parlamentar.
Conforme Gardênia Morais, registrou-se uma linha de repasses que incluía o pagamento da fatura de cartão de crédito da esposa de Frias e uma transferência de R$ 1.000,00 para a mãe do deputado. Ambas as operações teriam sido custeadas com recursos da conta da ex-funcionária, alimentada pelo salário que recebia na Câmara. Os registros bancários apresentados pela reportagem indicam que as transações visavam cobrir despesas pessoais do parlamentar.
A ex-assessora relatou que o deputado estava ciente de todas as devoluções e que houve um acordo inicial para que ele participasse dessas movimentações. Em entrevista ao G1, ela afirmou: “o deputado sabia, o deputado estava ciente de todas as devoluções. Foi um combinado inicial, o deputado sempre participa”.
O atual chefe de gabinete, Diego Ramos, negou qualquer conhecimento sobre as suspeitas e disse acreditar que Frias também desconhecia as transações apontadas. Na denúncia encaminhada à PGR, Chico Alencar sustenta que o caso envolve seis crimes distintos, entre eles concussão, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O tema surge num contexto envolvendo Frias como produtor executivo de Dark Horse, filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro e financiado pelo empresário Daniel Vorcaro. Em mensagens divulgadas pela Intercept Brasil, o deputado se refere ao dono do Banco Master como “irmão” e “meu brother”.
A representação será analisada pela PGR, que deve decidir os próximos passos sobre as alegações apresentadas. O caso reacende o debate sobre transparência e uso de recursos públicos no âmbito de mandatos na Câmara.
