Delegacia de Ibotirama opera há 13 anos em condições degradantes, aponta MP da Bahia

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo: um inquérito civil, em tramitação há 13 anos na 2ª Promotoria de Justiça de Ibotirama, expõe condições de absoluta precariedade na Delegacia de Polícia Civil da cidade. Em abril de 2026, a promotora Tahiane Stochero descreveu o espaço como grave, com risco à segurança e à dignidade de quem trabalha e procura atendimento, e exigiu um plano urgente para uma nova sede.

Detalhes revelados pelo Ministério Público incluem rachaduras na recepção e em salas, pintura descascada, infiltrações, portas quebradas sem fechaduras, fios desencapados e mofo. O ambiente não oferece higiene básica nem condições de guarda de materiais apreendidos, nem de cadeia de custódia, além de iluminação insuficiente e risco de incêndio.

A área de carceragem é destacada como especialmente desumana: não há água potável nem alimentação para os presos; funcionários teriam dividido entre si os custos de alimentação e limpeza, sugerindo repasse de verbas públicas não cumprido. Em várias ocasiões, detentos em flagrante eram devolvidos a suas cidades de origem por falta de estrutura, gerando custos adicionais ao Estado.

O documento também evidencia tentativas de fuga, como escavação iniciada na ala dos presos. O Ministério Público afirma que, diante do cenário, os agentes atuam como verdadeiros heróis, desempenhando funções em meio a condições que violam princípios de dignidade humana.

Em maio de 2026, a promotora prorrogou o inquérito por mais um ano e encaminhou recomendações ao secretário de Segurança Pública da Bahia e ao delegado-geral da Polícia Civil. Devem apresentar, em 30 dias, explicações formais e um plano detalhado para a construção de uma nova unidade, além de medidas imediatas: verba para alimentação, melhoria da carceragem, monitoramento de segurança, manutenção regular e instalação de computadores para registrar ocorrências no sistema Devir, liberando recursos para casos mais complexos.

Ao descumprimento, o Ministério Público avisa que pode configurar desobediência, obstrução da justiça e retardamento de dados indispensáveis à investigação, com possíveis consequências administrativas, cíveis e por improbidade. Há ainda a possibilidade de uma ação civil pública que determine a interdição total ou parcial da delegacia, deixando a região sem atendimento policial presencial.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Codesal apresenta balanço final da Operação Chuva 2026 com mais de 4 mil vistorias

A Defesa Civil de Salvador, a Codesal, encerrou a Operaçao Chuva 2026 com saldo positivo: no quadrimestre, foram 4.933 vistorias técnicas, 86.900 m²...

Campeão brasileiro de muay thai morre em acidente de moto na Bahia

Resumo: Renato Costa Santos, um jovem campeão brasileiro de muay thai, faleceu aos 20 anos após um acidente de trânsito em Vitória da...

Auxiliar de Rogério Ceni, Leandro Macagnan deixa comissão técnica do Bahia

Leandro Macagnan, braço direito de Rogério Ceni no Bahia, deixou o clube por motivos pessoais. A rescisão contratual foi publicada no BID da...