Resumo – Em Brasília, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para levar as demandas da indústria ao Legislativo e discutir a proposta de fim da jornada 6×1. O objetivo é abrir espaço no Senado para discutir o tema e possíveis prazos de implantação.
Segundo apuração, a estratégia busca ampliar o alcance do debate no Senado, já que o diálogo na Câmara dos Deputados estaria esgotado. Analistas do setor defendem que um cronograma mais flexível pode facilitar a adaptação de empresas à eventual mudança na jornada de trabalho.
Na Câmara, a análise da PEC que encerra a escala 6×1 foi adiada após pedido de vista do deputado Mauricio Marcon. O debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deve ser retomado nesta semana, com expectativa de que a votação ocorra em breve.
O relator da PEC, deputado Leô Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer que propõe reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. Um desses dias seria, preferencialmente, o domingo.
O relatório também prevê que, 60 dias após a promulgação da emenda, a jornada cairia para 42 horas semanais. Além disso, sugere alterações no Artigo 7º da Constituição, determinando que a carga horária não deve exceder oito horas diárias e 40 horas semanais, com possibilidade de compensação entre horários por acordo ou convenção coletiva. A medida não se aplicaria a trabalhadores com carga de até 40 horas semanais.
O setor produtivo avalia que tais mudanças podem elevar custos operacionais e exigir nova organização das escalas de produção. Por isso, há uma pressão para prorrogar prazos de adaptação, enquanto o debate no Senado avança, na expectativa de evitar impactos abruptos nas cadeias de abastecimento.
Especialistas destacam que a discussão envolve não apenas a viabilidade econômica, mas também o ritmo de reformas trabalhistas. A expectativa é de que o Senado mantenha o foco no tema e ofereça espaço para sugestões antes de qualquer promulgação, com a leitura do texto pelo relator e eventual votação ainda neste ciclo legislativo.
