O Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, conhecido como Hospital Colônia, encerrou suas atividades após a transferência dos últimos pacientes. A cidade celebra o momento como marco histórico e reafirma o compromisso com um cuidado em saúde mental mais humano e digno.
Inaugurado em 1903, o hospital ficou marcado por graves violações de direitos humanos. Relatos de maus-tratos e o uso de eletrochoques como punição, além de atendimentos realizados sem anestesia, são lembrados como capítulos sombrios da instituição e da história da saúde mental no Brasil.
Segundo dados oficiais, o Colônia foi responsável pela morte de cerca de 60 mil pessoas. A instituição também esteve ligada à venda de corpos para fins educativos, arrecadando mais de 600 mil reais ao longo do tempo, com pelo menos 1.800 corpos usados em cursos universitários de anatomia.
Durante a cerimônia de encerramento, houve o descerramento simbólico de uma placa e o fechamento definitivo das portas com um cadeado. Os 14 pacientes remanescentes foram encaminhados para uma residência com modelo de cuidado em liberdade, centrado na acolhida, na inclusão social e na autonomia dos moradores.
O prefeito de Barbacena, Carlos Du, destacou que o episódio representa um marco histórico para a cidade. Ele afirmou que o fechamento simboliza a transição de uma era de sofrimento para uma abordagem de saúde mental baseada na dignidade, na liberdade e no respeito aos direitos humanos.
A história do Colônia ganhou reconhecimento nacional pela obra Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, que trouxe depoimentos de pacientes, ex-funcionários e envolvidos. Com o fechamento definitivo, Barbacena abre espaço para uma nova era de cuidado humano e de reconstrução social na região.
