No depoimento ao Tribunal do Júri nesta quinta-feira, Kaylane Pereira, 18 anos, filha de Natasha de Oliveira Machado e ex-namorada de Jairinho entre 2010 e 2013, relatou que, quando ainda era criança, foi levada por ele a um local que, para ela, parecia um motel, onde aconteceram agressões físicas. Descreveu que o padrasto eventual a atingia com socos na cabeça e apertava o braço com força, em situações em que estavam sozinhos, sem a presença da mãe. As revelações se somam à linha de testemunhos que cercam o caso ligado à morte de Henry Borel.
Ela contou que as agressões geralmente ocorriam longe dos olhos da mãe. Em certa ocasião, foram para um quarto com piscina; lá, Jairinho a afundou de novo na água, soltando-a e repetindo o gesto. Kaylane afirmou ainda que o ex-namorado dizia que, se ela contasse à mãe, ficaria muito triste e terminaria o relacionamento, deixando-a culpada pela situação.
Durante o interrogatório, o psiquiatra Rafael Bernardon, uma das testemunhas da acusação, apontou um padrão de infligir dor em crianças por parte de Jairinho. Ele descreveu o ex-parlamentar como alguém com perfil egocêntrico, narcisista e sádico, que supostamente sentia prazer ao praticar violência contra parceiras e filhos. O parecer anexado ao processo sustenta essa leitura, reconhecendo tratar-se de uma avaliação subjetiva, ainda assim relevante para a linha de defesa da acusação.
Kaylane é filha de Natasha de Oliveira Machado, também testemunha do caso, e foi namorada de Jairinho entre 2010 e 2013. Ela afirmou que as agressões ocorriam apenas quando os dois estavam sozinhos, sem a presença da mãe, e que o ex-político costumava assustá-la para que não contasse tudo, insinuando que a culpa seria dela.
As declarações ajudam a compor o contexto do caso Henry Borel e alimentam o debate sobre violência contra crianças, contribuindo para a linha de investigação sobre padrões de agressão e a dinâmica de relacionamentos anteriores do ex-parlamentar. O material apresentado reforça a percepção de um comportamento repetitivo de violência, conforme avaliações de especialistas, no cerne do julgamento.
E você, qual a sua leitura sobre esses depoimentos e o que eles revelam sobre a proteção de crianças em situações de risco? Compartilhe suas impressões nos comentários e participe da conversa.
