Quem são os tesoureiros por trás das maiores facções do país

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Resumo: autoridades desvendam tesoureiros de facções criminosas — CV, PCC e TCP — com estruturas financeiras que movimentam centenas de milhões de reais, envolvendo empresas de fachada, imóveis de luxo e plataformas digitais. Entre os citados estão Rabicó, Paulo Witer (WT), Alex Amaro (Barba) e Luan França Medeiros, apontados como gestores ou operadores financeiros de camadas da organização.

Rabicó, tesoureiro-geral do CV, lidera uma rede que movimentou mais de R$ 453 milhões oriundos do tráfico. As investigações, dentro da Operação Contenção da DRE-CAP, apontam para o uso de empresas de fachada, ocultação patrimonial e transações com terceiros para esconder a origem do dinheiro. Transferências entre pessoas físicas e jurídicas, depósitos fracionados e notas fiscais falsas aparecem entre as táticas, com indícios de uso de empresas ligadas a reciclagem e ao comércio de sucatas para movimentação de valores altos.

Considerado uma das principais lideranças do CV, Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, foi alvo da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) nesta sexta-feira (29/5), apontado como responsável por coordenar uma estrutura que movimentou mais de R$ 453 milhões provenientes do tráfico de drogas.

A apuração indica que Rabicó atua como tesoureiro-geral, coordenando empresas de fachada, ocultação patrimonial e movimentações bancárias, recorrendo a terceiros para esconder a origem dos recursos. Entre as estratégias identificadas estão transferências entre pessoas físicas e jurídicas, depósitos fracionados e circulação de recursos por contas de passagem. Em durante a apuração, Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira do tesoureiro, foi presa.

Apesar das condenações, Rabicó permanece foragido desde 2019, aos 61 anos, com passagens por homicídio, tentativa de homicídio, tráfico, associação criminosa e armas. Em 2014, investigações já haviam apontado mais de R$ 3 milhões encontrados em tonéis enterrados em áreas de mata nas comunidades da Mangueira e do Salgueiro, no Rio, além de drogas e armamentos.

Paulo Witer, o “WT”, é citado como um dos principais operadores financeiros do CV no Mato Grosso. Condenado por lavar dinheiro para o CV, ele movimentou aproximadamente R$ 65 milhões na aquisição de imóveis, veículos e outros bens. A GCCO aponta que ele usava parentes, cúmplices e “testas de ferro” para ocultar a origem dos recursos, além de investir em iniciativas comunitárias, como cestas básicas, times de futebol amador e um espaço esportivo.

Antes de retornar ao regime fechado, WT cumpria pena em semiaberto com tornozeleira eletrônica. Segundo a polícia, ele burlou o monitoramento para viajar a luxo, inclusive passando o Réveillon de 2023 no litoral de Santa Catarina, com hospedagens em hotéis de alto padrão e salto de paraquedas. Viagens ao Rio de Janeiro e a Maceió também foram registradas, sempre com hospedagens em locais sofisticados.

Preso desde abril de 2024, ele permanece na ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado. Em março de 2025, a Justiça negou o pedido da defesa para flexibilizar o isolamento, após informações de que ele continuaria repassando ordens ao núcleo financeiro da facção.

Alex Amaro, o “Barba”, é apontado como tesoureiro do PCC. Ele foi preso em 25 de junho de 2025 pela Dise de Santos, responsável por receber e redistribuir valores de pontos de tráfico em São Paulo, ABC e Baixada Santista. A polícia aponta controle de pelo menos três biqueiras na Favela da Felicidade, onde cada ponto faturava entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por dia, gerando cerca de R$ 150 mil/dia e, em sete meses, aproximadamente R$ 10,5 milhões.

Entre os itens apreendidos estavam relógios Rolex, notebooks, celulares, joias, dinheiro em espécie e um Tesla, além de documentos sobre a contabilidade dos pontos de tráfico. Parte dos bens não constava em seu nome. A polícia acredita que Barba assumiu o cargo após a morte de Palito, antigo responsável financeiro da organização. Também foi preso Wesley Teixeira, apontado como seu braço direito, encarregado de recolher valores junto aos traficantes e produzir relatórios financeiros manuais.

Luan França Medeiros, operador financeiro do TCP, foi preso no Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes. A DRE aponta que ele movimentou ao menos R$ 5 milhões nos últimos meses e utilizava redes sociais para promover plataformas clandestinas de apostas, além de lavagem digital de dinheiro com transferências pulverizadas e movimentações virtuais para ocultar a origem dos recursos. A polícia apreendeu celulares e equipamentos, enquanto Luan é descrito como próximo de ex-integrantes do TCP, incluindo Gotinha, já morto em confronto com a polícia.

O conjunto das investigações envolve as operações de diferentes forças de segurança: Polícia Civil, DRE, GCCO e as dirigências regionais, com foco em desmantelar cadeias de financiamento que sustentam a violência nas ruas. A imprensa acompanha de perto o desfecho dessas ações, que revelam a magnitude do dinheiro sujo, o uso de estruturas empresariais falsas e a pressão de antigos líderes sobre novos caciques do crime.

E você, leitor: qual é sua percepção sobre os impactos dessas investigações nas comunidades onde operam as facções? Como a sociedade pode acompanhar os resultados dessas ações e cobrar transparência no uso de recursos públicos para o enfrentamento à criminalidade?

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