Relatos de mulheres trans detidas na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, na ala conhecida como Colmeia, apontam para violência, assédio
e a infiltração de homens cisgêneros que fingem ser trans para obter vantagens penais. As cartas enviadas às autoridades pedem proteção e intervenção,
enquanto gestores asseguram apuração e ajustes na gestão da ala.


Dominação física
Nas denúncias, as internas descrevem uma lógica de dominação física exercida por infiltrados. A recusa de manter relações com esses indivíduos resulta em punições severas, incluindo espancamentos, intimidações e violência dentro das celas, longe da visibilidade das guaritas.
“Hoje convivemos com ameaças, agressões, intimidações e situações extremamente humilhantes. Existem mulheres trans chorando escondidas dentro das celas, tentando tirar suas próprias vidas.”
O relato aponta ainda que houve histórico de violência anterior de quem se infiltrou, com trechos que mencionam mortes ocorridas tanto na unidade quanto fora dela. Em meio ao medo, muitas trans vivem em silêncio e enfrentam consequências emocionais graves.
Seape se manifesta
Em nota de 17 de maio, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF) informou que “todas as ocorrências formalmente comunicadas são apuradas” e que, quando necessário, são adotadas medidas administrativas, assistenciais e operacionais. A pasta também mencionou uma redução no quantitativo de reeducandas trans custodiadas na PFDF, o que facilita a gestão da ala e o acompanhamento das internas.
Assédio e pornografia
A desordem provocada pelos falsos detentos trans ultrapassa as paredes das celas, atingindo a segurança da unidade. Policiais femininas relatam um ambiente de trabalho hostil, com comentários ofensivos de cunho sexual durante vistorias e trancados. Enviados com teor pornográfico e ilustrações, os bilhetes visam ridicularizar o grupo trans e inflamar preconceito entre as detentas.
O impacto psicológico é tão intenso que interrompeu atividades de ressocialização; várias mulheres optaram pela reclusão constante por medo de emboscadas, e até as visitas familiares tornaram-se momentos de constrangimento.
Regresso à Papuda
O colapso na segurança interna levou a um fenômeno paradoxal: algumas signatárias pedem para voltar à Papuda, alegando sentir-se mais seguras lá. Elas ressaltam que não buscam privilégio, apenas proteção digna e respeito à sua humanidade.
Posicionamento da VEP
A VEP afirma que, como em qualquer política pública, podem ocorrer abusos de direito ou inconsistências. O sistema prisional e a VEP mantêm um fluxo de verificação com análise documental, escuta qualificada e avaliação multidisciplinar, revisando medidas caso a caso quando necessário.
Este caso ressalta a necessidade de ações técnicas e sociais para assegurar a dignidade de todas as pessoas sob custódia, com interventores que atuem com rigor, sem privilegios, apenas com proteção real e respeito aos direitos humanos.
E você, qual é a sua opinião sobre como a Justiça e as autoridades devem agir diante de relatos tão graves? Compartilhe nos comentários e participe da discussão com responsabilidade.
