Os laços de Flávio Bolsonaro com o submundo do crime no Rio

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Resumo curto: Entre 2003 e 2008, Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, concedeu várias Moções de Louvor a oficiais da Polícia Militar e a militares. Muitas homenagens destacaram serviços de segurança, mas os homenageados passaram mais tarde a figurar em investigações, condenações e ligações com milícias, levantando dúvidas sobre o uso político dessas condecorações.

Outubro de 2003. Flávio Bolsonaro concedeu a primeira Moção de Louvor a Adriano Magalhães da Nobrega, então tenente, pelo combate à criminalidade. Em 2005, entregou pessoalmente a Adriano a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do Estado. Na época, Adriano estava preso preventivamente por homicídio; anos depois, tornou-se apontado como chefe da milícia de Rio das Pedras e do grupo “Escritório do Crime”. O deputado também contratou a mãe e a mulher de Adriano em seu gabinete na Alerj, e o caso envolve alegações de “rachadinha” segundo o Ministério Público.

Março de 2004. Em outra leva de condecorações, Flávio homenageou Ronald Paulo Alves Pereira por serviços na área de segurança pública. A homenagem ocorreu pouco depois de uma chacina na Baixada Fluminense que resultou na morte de cinco jovens; Ronald já era alvo de investigações e, posteriormente, seria condenado. Ele também era apontado como um dos líderes da milícia ligada a Rio das Pedras.

2004. Flávio outorgou Moção de Louvor ao tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira pela atuação operacional na liderança de batalhões da Polícia Militar. Anos depois, Oliveira foi preso e condenado a 36 anos por ser o mandante intelectual do assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada em 2011 por atuar firmemente contra milícias. Ainda em 2004, foi concedida uma Moção de Louvor ao militar da reserva Lício Maciel, exaltando ações na Guerrilha do Araguaia; décadas depois, o militar foi denunciado pelo MPF por sequestro e ocultação de cadáveres durante a ditadura.

2005. Flávio concedeu homenagem a Hélio Machado da Conceição, policial que atuava no patrulhamento da Zona Oeste. Cerca de nove anos após a honraria, o agente foi expulso da corporação por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis e pela formação de milícia na região. No mesmo ano, a homenagem recaiu sobre o major Maycon Macedo de Carvalho, da Polícia Militar, que mais tarde tornou-se réu na Justiça Militar por corrupção passiva, participação em organização criminosa armada e fraude em licitações.

2006. Flávio reconheceu Alan Rodrigues de Oliveira com Moção de Louvor, citando serviços na segurança pública. Alan e o irmão gêmeo Alex assessoravam eventos políticos; em 2017, foram presos por integrar rede de policiais que extorquiam comerciantes na Zona Oeste do Rio. Ainda em 2006, houve reconhecimento a Arlei Balbino por serviços no patrulhamento urbano; ele acabou réu em ação civil pública por improbidade administrativa.

2007. Edson Alexandre Pinto de Góes recebeu Moção de Louvor por atuação em batalhões de Operações Especiais da PM. Anos depois, foi alvo de investigações financeiras e condenado a cinco anos por lavagem de dinheiro e ocultação de bens de origem ilícita. 2008. Edson Raimundo dos Santos ganhou outra Moção pela liderança na PM; cinco anos após, comandou a UPP da Rocinha durante atos de tortura, morte e desaparecimento do ajudante Amarildo de Souza, resultando em condenação a mais de 13 anos de prisão.

Como leitor, reflita: qual é o peso dessas homenagens no debate público sobre o papel de autoridades eleitas e de agentes de segurança nas cidades? Deixe seu comentário com suas opiniões sobre o tema e como você enxerga esse vínculo entre honrarias políticas e casos de segurança pública.

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