Prefeitura se manifesta sobre operação contra produtora de Dark Horse

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A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira a Operação Wi-Fi para investigar suspeitas de fraude em um contrato da Prefeitura de São Paulo com a produtora Go Up Entertainment Ltda, ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela cinebiografia Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. A ação mira irregularidades em uma parceria para levar internet sem fio às comunidades periféricas da cidade.

Segundo as investigações, o acordo previa 108 milhões de reais para implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso. A prefeitura afirma que não houve pagamento pela totalidade dos 5.000 pontos; o aditivo em questão seria apenas para a manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados. A administração também destacou que, para 2026, o custo estimado cairia para 1.280,80 reais por ponto/mês, bem abaixo das propostas de 2022 que chegavam a 2.026,26 e 5.092,14 reais por ponto/mês.

Entre as questões apontadas pela Polícia Civil, está a suposta falta de capacidade técnica da empresa participante exclusiva do chamamento público, o ICB, que, segundo a investigação, não possui experiência no setor de telecomunicações e atua principalmente em feiras de livros e eventos religiosos. O protocolo também cita suposto superfaturamento quando comparado aos padrões de mercado, com valores de manutenção por ponto significativamente superiores aos praticados pelo setor público, e irregularidades no cumprimento de metas com aditivos usados para encobrir atrasos na implantação.

Além disso, há a suspeita de pagamentos indevidos e antecipados, com estimativa de 26 milhões de reais adiantados sem a devida contraprestação. A pasta reconhece que, na prática, apenas parte dos pontos chegou a funcionar durante o período apurado. A gestão municipal destaca que o chamamento ocorreu em 2024, com 30 dias de tramitação aberta para qualquer entidade interessada, e ressalta que, em 2026, o custo por ponto está significativamente menor do que as propostas anteriores.

Entenda as suspeitas:

  • Falta de capacidade técnica: participação exclusiva do ICB, sem experiência comprovada em telecomunicações, com atuação maior em feiras e eventos não relacionados ao setor.
  • Superfaturamento: manutenção estimada em 1.800 reais por ponto, frente à referência de mercado, enquanto a gestão pública cobrava apenas 306 reais pela manutenção de ponto em outra empresa.
  • Descumprimento de metas e fraude em aditivos: 3.200 pontos instalados de 5.000 previstos, com três aditivos em curto intervalo para tentar mascarar atrasos.
  • Pagamentos indevidos e antecipados: antecipação de 26 milhões de reais, com repasses vinculados a 3.200 pontos, embora apenas parte deles estivesse em operação.

A Operação Wi-Fi investiga ainda a possível destinação de recursos da parceria para a produtora Go Up Entertainment Ltda., controlada por Karina Ferreira da Gama, para subsidiar a produção de Dark Horse. A Metrópoles procurou posicionamento de Karina e do ICB, sem retorno até o fechamento desta edição.

A prefeitura afirma colaborar com as autoridades e já encaminhou todo o material solicitado. O caso segue em apuração, com os desdobramentos ainda incertos sobre eventual desvio de recursos e responsabilidades das partes envolvidas.

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