Um memorando dirigido ao Relator Especial das Nações Unidas sobre Liberdade de Religião ou Crença alerta para uma escalada de violência contra cristãos e muçulmanos moderados na Nigéria, sugerindo que o país pode enfrentar genocídio. O documento, elaborado pela Genocide Watch e pela Alliance Against Genocide, foi enviado à Relatora Nazila Ghanea.
As organizações destacam que grupos jihadistas — entre eles Boko Haram, o ISWAP, milícias Fulani e Lakurawa — são responsáveis por mais de 60 mil mortes desde 2001 e pelo deslocamento de mais de 2,2 milhões de pessoas. Igrejas, aldeias cristãs, escolas e civis no Centro e no Norte da Nigéria têm sido alvos recorrentes.
O memorando afirma que a violência se intensificou nos últimos anos, com ataques mensurados em 2025 e 2026. Também acusa setores das forças de segurança de não intervir e aponta possíveis cumplicidades de autoridades e militares ligados a interesses políticos, econômicos e à elite de pecuaristas Fulani. O sequestro para ransom é apresentado como fonte de financiamento para esses grupos, com pelo menos 580 civis sequestrados em 2024; áreas sob controle insurgente ficam perto de instalações militares sem desmantelamento efetivo.
Em Benue, Plateau, Kaduna e Kogi, comunidades sofrem ataques, assassinatos e deslocamentos em massa. Em junho de 2025, o ataque a Yelwata, vila predominantemente católica no Benue, deixou entre 100 e 200 mortos; em julho de 2025, a aldeia de Bindi, em Plateau, registrou ao menos 27 civis mortos, apesar de uma força de segurança próxima, a Operação Save Haven, ter recibido pedidos de ajuda.
A Genocide Watch critica a narrativa oficial, que muitas vezes reduce o conflito a disputas entre pastores e agricultores ou a crimes comuns, minimizando uma perseguição religiosa direcionada. O documento também questiona ações de atores internacionais, citando a União Europeia, a Amnistia Internacional e o secretário-geral da ONU por não reconhecerem formalmente genocídio, mesmo diante de relatos consistentes de assassinatos em massa, limpeza étnica e deslocamentos forçados. Depoimentos de Masara Kim e Mike Odeh James, da equipe da África Ocidental, descrevem invasões de aldeias, queima de casas e plantações, com suposta inação das forças de segurança.
O memorando conclui pedindo ao Relator Especial que não dilua as conclusões sobre perseguição religiosa na Nigéria e solicita maior participação internacional, incluindo reformas no aparato de segurança e pressão global sobre grupos extremistas. O texto cita Helen Fein ao lembrar do conceito de “genocídio por desgaste” e enfatiza que a crise não é apenas securitária, mas uma questão de direitos humanos e liberdade religiosa. Donald Trump condenou as atitudes associadas às violações, enquanto o governo nigeriano, liderado por Bola Tinubu, nega que esteja diante de genocídio.
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