O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu nesta quarta-feira (4/6) que o Brasil poderia levar o Pix para negociação com os Estados Unidos e, se for o caso, trocá-lo pelo Zelle, o sistema de pagamentos norte-americano. A proposta foi feita durante entrevista ao portal TMC News, em meio a discussões sobre a relação entre políticas de pagamento digitais e a balança comercial.
Segundo ele, os Estados Unidos dispõem de mecanismos muito semelhantes ao Pix. Ele citou o Zelle como o “Pix dos EUA” e afirmou que isso abre espaço para uma mesa de negociações onde o Brasil apresentaria argumentos sólidos. O deputado também citou a possibilidade de incluir ativos estratégicos, como terras raras e manganês, na pauta de acordos bilaterais.
A fala ganha respaldo no contexto de uma etapa concluída pela Administração americana. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) finalizou a investigação da Seção 301 contra o Brasil, sugerindo tarifas de até 25% sobre alguns produtos importados. O documento aponta “práticas desleais” associadas às políticas de pagamento eletrônico do Brasil, o que tem alimentado o debate sobre competitividade.
Analistas veem na medida uma leitura protecionista, já que o uso intenso do Pix no Brasil tem reduzido a demanda por cartões de crédito de bandeiras americanas. O Zelle, por sua vez, não é amplamente aceito por todos os bancos nos EUA, e a liquidação de pagamentos costuma ocorrer em minutos, diferentemente da instantaneidade do Pix brasileiro. O choque entre os dois sistemas é um fio condutor da atual tensão comercial sobre pagamentos digitais.
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