Conhecido como um “ex-camel” que levou a experiência do comércio popular da Rua 25 de Março para o mundo dos negócios, o empresário Maurice Chang Neto é acusado de uma série de estelionatos contra advogados contratados por suas empresas. Documentos recebidos pelo Metrópoles apontam sete profissionais enganados. Em 27 de maio, Chang Neto foi condenado, à revelia, em uma ação trabalhista movida por uma das vítimas, com pedido de indenização de R$ 105 mil.
Em busca de um posicionamento, a reportagem tentou ouvir o empresário pelos sistemas do TJSP, mas, em vez de porta-vozes, encontrou advogados que também afirmam ter sido vítimas do golpe.
Ao todo, sete profissionais relatam ter sido enganados. Um escritório cobra mais de R$ 1 milhão em honorários e, na condenação mais recente, o valor de indenização pedido foi de R$ 105 mil. Os demais não divulgaram os montantes devidos.
Chang Neto não respondeu aos contatos da reportagem; o espaço permanece aberto para manifestações.
Golpe do falso cliente: Chang Neto recrutava por meio de indicações e anúncios de vagas, oferecendo salários atrativos, vale-refeição e plano de saúde, além de alegar possuir centenas de empresas para passar uma imagem de solidez financeira.
O objetivo, segundo relatos, era criar uma narrativa de sucesso profissional para induzir as vítimas ao golpe.
“Fiz a primeira diligência e as empresas pareciam ativas, condizentes com a história contada e com a necessidade de contratação urgente”, disse um advogado, sob anonimato. Um segundo profissional aponta que uma das empresas apresentava capital social de R$ 10 milhões, reforçando a aparência de veracidade.
Depois de contratados, os advogados passaram a enfrentar cobranças, com prazos curtos e cobranças de serviços noturnos. Há relatos de constrangimento, xingamentos e ameaças de demissão.
Em mensagens, o empresário repassava as demandas a um “departamento financeiro” e alegava ter efetuado transferências, mas o sistema estaria fora do ar. Em outras ocasiões, citava problemas de saúde para justificar a ausência de resposta, estratégia que as vítimas consideram evasiva.
Para alguns escritórios, Chang Neto age como “estelionatário contumaz”, contratando profissionais com a certeza de que não haverá pagamento. Além disso, questionamentos surgem sobre a efetividade operacional das empresas registradas no edifício de Brooklyn, na zona sul de São Paulo, cuja sede parece desocupada e sem identificação.
No dia 27 de maio, a 61ª Vara do Trabalho de São Paulo condenou Chang Neto em uma ação movida por uma vítima, com valores totais que incluem honorários, multas e indenizações. A Polícia Civil da Bahia abriu inquérito para apurar as denúncias, com diligências em andamento pela 16ª Delegacia Territorial (Pituba). Em São Paulo, o caso também é alvo de apuração policial, e a OAB não localizou registros relacionados ao empresário.
O Metrópoles tentou contato com Maurice Chang Neto por e-mail, telefone e mensagem, sem sucesso. O espaço permanece aberto para manifestações.
E você, o que acha desse tipo de golpe? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe se já teve experiência semelhante ou conhece alguém que tenha passado por algo parecido.
