O cantor Del Feliz, ferrenho defensor do forró, foi condecorado com a Comenda 2 de Julho e trouxe à tona um debate relevante sobre os rumos das festas juninas na Bahia durante o São João de Salvador. Em suas palavras, a busca pela tradição precisa coexistir com as mudanças do cenário cultural, sem abandonar a autenticidade que atrai o público.
O lançamento oficial ocorreu na Praça da Revolução, no bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, em uma noite que também abriu o XVII Campeonato Estadual de Quadrilhas Juninas da Bahia, entre 10 e 14 de junho. Del Feliz esteve no centro do palco, reforçando a importância de preservar o patrimônio imaterial ao redor das festas do interior.
Ao falar sobre políticas de cachês para artistas, o artista foi direto: “Eu quero deixar muito clara minha opinião: não é o estabelecimento de um cachê máximo que vai resolver o problema do São João. Eu acho que um cachê de 700 mil reais ainda é um cachê, mas eu não me sinto à vontade para dizer: ‘Ah, não pode pagar o que dá’, mas pode pagar o milhão e meio, não pode pagar os 100 mil’.” A fala evidencia uma visão pragmática sobre remuneração, sem abrir mão da crítica às limitações impostas aos talentos.
Mais adiante, Del Feliz alertou sobre a perda de identidade causada pela dominância de grandes produções comerciais no interior da Bahia. “Agora, é natural que a gente se revolte com a ideia de que as festas de hoje sejam descaracterizadas. A festa que continua a ser autêntica, que mantém a tradição, é a que atrai o público de verdade.” O compositor enfatizou a necessidade de manter a festa auténtica, mesmo em meio às mudanças do tempo, para dialogar com uma grande massa.
O cantor encerrou cobrando maior compromisso das gestões públicas com o patrimônio cultural nordestino, ressaltando que o objetivo é uma festa cada vez mais autêntica e tradicional, bela, rica e conectada com a nossa identidade cultural. O evento na Periperi, além de abertura do campeonato, reforçou a mensagem de preservar a essência do São João da Bahia enquanto se abre espaço para novas atrações.
E você, o que pensa sobre o equilíbrio entre tradição e novas produções nas festas juninas? Deixe seu comentário com sua visão sobre cachês, identidade cultural e o papel das autoridades na proteção do nosso patrimônio. Sua opinião pode render debates importantes para o nosso São João.
