Governador do MT quer doar terreno do estado para entidade privada

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), anunciou a doação de um terreno de cerca de 12 mil metros quadrados, avaliado em 8,5 milhões de reais, para a Fundação Escola Superior do Ministério Público (Fesmp), ligada à Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP). A medida, apresentada sem licitação, provocou críticas entre promotores e abriu espaço para uma possível investigação de improbidade administrativa. A proposta envolve, ainda, contrapartidas que permanecem questionadas quanto à sua eficácia e mensurabilidade.

Divulgação/MPMT
Sede das promotorias da Capital Ministério Público de Mato Grosso, em Cuiabá

O terreno, com 12 mil metros quadrados, fica na Avenida Desembargador Milton Ferreira Mendes, setor “C”, no Centro Administrativo de Cuiabá, perto da sede das Promotorias da Capital. A avaliação de 8,5 milhões de reais foi realizada pela Secretaria de Planejamento do Estado. A área seria desmembrada de um terreno maior já existente.

A doação é destinada à Fesmp, mantida pela AMMP, uma entidade de classe que funciona como um sindicato para promotores e procuradores. A gestão desse espaço privado, segundo os promotores, facilitaria o controle de uma parte do patrimônio público por uma instituição de classe.

Para viabilizar a doação, o governo enviou um projeto de lei à Assembleia Legislativa. A justificativa é que a Fesmp ganhará um terreno de alto valor e deverá, em três anos, erguer uma faculdade de direito, com contrapartidas para a sociedade.

Entre as contrapartidas, o projeto prevê que a faculdade ofereça, anualmente, dois seminários ou treinamentos para servidores estaduais, realize 100 atendimentos jurídicos gratuitos à população, ofereça vagas para pessoas de baixa renda ou originárias de escolas públicas e mantenha uma biblioteca aberta a toda a comunidade. Além disso, haveria pesquisas sobre temas relevantes para o estado e parcerias com escolas públicas para educação jurídica e cidadania.

Os procuradores e promotores consideram as contrapartidas como “cláusulas abertas” sem metas claras para mensurar o retorno do ato. O ex-procurador-geral José Antônio Borges Pereira e outros membros destacam que não há detalhes sobre quantos estudantes serão treinados, quantas bolsas, o tamanho da biblioteca ou a extensão das parcerias com escolas. A avaliação é de que as cláusulas dependem de acordos futuros entre doador e donatário, fragilizando a aprovação legislativa.

Outro ponto de tensão é o procedimento: os defensores da legalidade afirmam que a doação sem licitação desrespeita a lei e sugerem que o governo poderia ter realizado uma licitação na modalidade leilão para vender o terreno, assegurando recursos ao erário. A leitura entrelinhas é a de que a operação pode beneficiar o atual grupo que comanda a AMMP, aumentando o poder sobre a entidade privada.

O projeto de lei está em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, sem relatório disponível no momento. A discussão permanece acalorada, com pontos de vista divergentes sobre a conveniência da doação e a transparência do processo.

E você, o que pensa sobre essa proposta de doação e as contrapartidas associadas? Compartilhe sua opinião nos comentários e torne a conversa mais clara para quem acompanha o caso.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Tribunal determina retratação de Ratinho e Pilhado por ataques contra Chico Buarque

Resumo: Justiça do Rio de Janeiro determina que Ratinho e Thiago Asmar, conhecidos como "Pilhado", se retratem de declarações sobre Chico Buarque feitas...

PF deflagra operação após denúncia anônima sobre compra de votos

Resumo jornalístico: PF deflagra a Operação Urna Livre em Salgado, SE para investigar esquema de compra de votos nas eleições de 2026, a...

Voto em candidato irregular pode ser cancelado mesmo com nome na urna

Resumo: Eleitores devem checar a situação de candidaturas antes das eleições...