A possibilidade de a semaglutida chegar ao SUS voltou a ganhar força, com a Novo Nordisk apresentando uma nova proposta de incorporação com desconto de 59% em relação à rodada rejeitada em 2025. O Ministério da Saúde analisa o custo-benefício, enquanto um estudo com Wegovy, produzido pela farmacêutica, é conduzido para orientar futuras decisões.

A primeira tentativa de incorporar a substância ao SUS foi barrada em agosto de 2025 por conta do alto custo. Com o fim da exclusividade de patente, a concorrência aumentou e os preços ficaram mais competitivos. Na nova proposta, os valores por dose são: 0,25 mg a 1,0 mg, R$ 396,88; 1,7 mg, R$ 594,49; 2,4 mg, R$ 764,64. Se a Conitec aprovar, o Ministério poderá comprar de diferentes fabricantes, inclusive da EMS, que já tem autorização da Anvisa para produzir semaglutida, além de outros 16 pedidos sob análise.
A possibilidade de ampliar o acesso preocupa especialistas, que destacam a importância de opções eficazes para o tratamento da obesidade além da cirurgia bariátrica, ainda a principal alternativa no SUS. Dados do Vigitel apontam que mais de 60% da população está acima do peso, e cerca de 25% enfrenta obesidade. O custo de complicações, como AVC e diálise, também pesa no orçamento público, reforçando a necessidade de novas vias terapêuticas.
Maria Fernanda Barca, endocrinologista da USP e integrante da Abeso, afirma que ampliar o acesso à semaglutida pode favorecer especialmente os grupos de baixa renda, ajudando a evitar incapacidades que elevem gastos com doenças crônicas. Maria Edna de Melo, da área de Advocacy da Abeso, lembra que a rede pública ainda não oferece um tratamento estruturado para obesidade e muitos pacientes ficam entre orientação nutricional e cirurgia.

Ainda em 2026, pessoas que aguardam a cirurgia bariátrica no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, participarão de um estudo com Wegovy para avaliar os efeitos do tratamento e coletar informações que possam orientar uma futura incorporação do medicamento ao SUS.
No âmbito da produção nacional, a EMS avançou: em maio de 2026 recebeu autorização para fabricar Ozivy, versão do medicamento, e informou que os próximos passos dependerão das definições do Ministério da Saúde.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o objetivo é entender as condições para a incorporação, buscando ampliar o tratamento sem elevar custos do sistema e, ao mesmo tempo, reduzir gastos com doenças crônicas.
A discussão sobre a semaglutida segue em aberto, com foco na saúde pública e naqueles que mais precisam. E você, qual é a sua opinião sobre a possibilidade de ter esse tratamento disponível no SUS? Compartilhe nos comentários e participe da conversa.
