
Um hospital na zona sul de São Paulo, que serviu de cenário para cenas do filme Dark Horse, voltou aos holofotes após a Justiça determinar a penhora de parte do aluguel pago pela produção. A ação envolve dívidas de honorários advocatícios que somam R$ 895 milhões e investigações sobre o financiamento da obra.
A Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa, firmou um contrato de locação no valor de R$ 92,2 mil para 46 dias de uso do Hospital Indianópolis, entre 24 de setembro e 2 de dezembro de 2025. A primeira parcela foi quitada diretamente ao proprietário, mas a segunda ficou alvo de penhora judicial após a execução da dívida.
Um oficial de Justiça esteve no hospital para efetuar o arresto de bens relacionados ao contrato de locação. Com a ajuda da equipe da Go Up, foram identificados apenas os bens vinculados à locação, e não os pertencentes à produtora ou aos itens locados por ela, o que permitiu o arresto do contrato de aluguel. O depósito do valor penhorado foi feito pela Go Up em 2 de dezembro em uma conta vinculada ao TJSP. Em fevereiro, o credor pediu acesso aos R$ 46,1 mil penhorados.
Investigações sobre Dark Horse apontam repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do projeto. Além disso, a dona da Go Up, Karina Ferreira da Gama, é alvo de apuração policial por suspeita de desvio de recursos da Prefeitura de São Paulo para a produção. A investigação envolve a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), contratada pela gestão municipal para instalar Wi?Fi em áreas da capital; tanto a produtora quanto a prefeitura negam irregularidades.
Contrato de locação e uso do espaço previu 46 dias de utilização do hospital, com início em 24 de setembro de 2025 e término em 2 de dezembro de 2025. A Go Up recebeu R$ 1 mil por dia de pré-produção e preparação, e R$ 2,8 mil por dia nas 26 diárias de filmagem. O acordo também concedeu, de forma irrevogável e perpétua, a cessão de direitos de imagem e de conteúdo relacionado ao imóvel capturado em filmagens, além de transformar um andar em um hotel cenográfico e adaptar a recepção com sinalização e mobiliário para simular a entrada da Santa Casa de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Entre as cenas, houve registros em áreas como UTI, posto de enfermagem e salas de espera. As informações indicam que a produção utilizou amplas dependências e equipamentos do hospital para montagem de cenários, ensaios, maquiagem e figurino, reforçando o caráter multimídia do projeto.
Diante dos desdobramentos, fica a leitura sobre os limites entre cinema, contratos públicos e finanças privadas. Como você enxerga esse tipo de investimento para produções nacionais? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte se você acredita que casos assim merecem maior transparência e fiscalização.
