Identidade cultural em jogo: Lazinho, vocalista do Olodum, alerta para o risco de a Bahia perder a essência de suas festas populares. Em entrevista nesta quarta-feira, o cantor, que representa o Olodum há décadas, compara a situação do São João e do forró com as mudanças que já atingiram o Carnaval de Salvador e as bandas de percussão. Acredita que a manutenção da cultura local depende de respeitar ritmos e artistas da casa, ao mesmo tempo em que admite abrir espaço para outros estilos, desde que preservem a essência de cada festa.
“Quando você abre mão da sua cultura, você deixa de ser cidadão. É a história que diz isso”, diz Lazinho. Ele afirma que é possível incorporar outros gêneros às festas, desde que a adaptação respeite os ritmos e artistas locais. “Agora, quando você se adapta e faz bem feito, eu acho que dá pra fazer.” No entanto, ele ressalta que há pessoas que lutam o ano inteiro para sustentar a família, comprar roupas para os filhos ou manter a casa, e que mudanças não podem colocar esse sustento em risco.
O artista questiona: “tem ritmos que ninguém invade, é o nosso; por que tem que invadir?” Ele lembra que isso já ocorreu com o Carnaval, e alerta que há o risco de perder também o São João caso as mudanças não respeitem a tradição. “Aconteceu isso com o Carnaval, estamos perdendo o Carnaval e podemos perder o São João. Eu acho que é cada um na sua praia”, conclui. Nesta quarta-feira, o Olodum representa a Torcida Brasil em Salvador, com transmissão da TV SBT no Largo do Pelourinho.
E você, o que acha dessa discussão sobre misturar ritmos nas festas da Bahia? as tradições devem permanecer intocadas ou dialogar com novos sons, desde que respeitem a história e os artistas locais? Compartilhe sua opinião nos comentários e convide alguém que também vive essa linguagem musical da região para participar do debate.

