Três irmãs de Sergipe — Levita de Deus Nunes, Zoraide de Deus Mota e Zulina de Deus Nunes — somam 316 anos de vida entre si, um marco que inspira pelo afeto, trabalho e união familiar. Hoje, com idades combinadas de 109, 104 e 103 anos, elas representam o ápice de uma trajetória que começou no interior de Sergipe e ganhou o Rio de Janeiro como casa comum.
Nascidas em Cedro de São João, as irmãs migraram para o Rio nas décadas de 1940 e 1950, buscando melhores condições de vida. O elo que mantém a família unida é a cooperação mútua: quando uma trabalhava, as outras ajudavam com a casa e os cuidados com os filhos, fortalecendo um legado de solidariedade que se estende às gerações seguintes.
Levita de Deus Nunes, a mais velha, nasceu em 7 de junho de 1917. Ela é a guardiã do lar, além de ter construído uma carreira por trás dos cenários da televisão: 12 anos nos bastidores da Rede Globo, trabalhando com plateias de humor e figurando em novelas. Aos 109 anos, permanece ativa intelectualmente por meio da leitura, mesmo acamada na zona norte do Rio.
Zoraide de Deus Mota, nascida em 24 de novembro de 1921, seguiu a formação de professora primária e ingressou na Escola de Enfermagem Anna Nery no Rio de Janeiro. Criou cinco filhos enquanto consolidava uma carreira na saúde, superando um divórcio em 1975 e perdas familiares ao longo da vida. Hoje, aos 104 anos, é a matriarca de uma linhagem de médicos e advogados, com nove netos e treze bisnetos.
Zulina de Deus Nunes, nascida em 4 de março de 1923, aprendeu bordado e costura na zona rural de Sergipe. Em 1952, migrou sozinha para o Rio com dois filhos, levando apenas o artesanato para vender. Com o apoio de Zoraide e os cuidados de Levita, garantiu que todos os filhos tivessem diploma universitário. Aos 103 anos, mantém a vitalidade, cozinha com regularidade e lidera uma família de nove netos e seis bisnetos.
A soma dessas histórias foi validada pela rede internacional LongeviQuest, que acompanha dados de longevidade global. O caso das irmãs brasileiras reforça como vínculos familiares fortes e uma vida de colaboração podem ampliar a capacidade de atravessar décadas de mudanças econômicas e sociais.
Embora hoje ostentem o título de irmãs vivas mais velhas do mundo, o recorde absoluto ainda pertence ao trio norte-americano Maggie Renfro, Carrie Lee Miller e Rosie Lee Warren, que somaram 325 anos em 2009. Até lá, o legado das irmãs sergipanas inspira gerações a valorizar o cuidado mútuo, a educação e a resiliência em família.
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