Resumo: o MC Negão Original, conhecido nome do funk paulistano, foi preso após quatro meses foragido. A operação Fim da Fábula aponta o cantor como parte de uma quadrilha que praticava golpes digitais e utilizava fintechs e plataformas de apostas para ocultar recursos, estimados em cerca de 100 milhões de reais.
A captura ocorreu no interior de São Paulo, com o artista encaminhado à sede da DOPE. A ação, executada pela Polícia Civil por meio da Deic, mobilizou 400 policiais e magistrados, cumpriu 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisões temporárias, além de bloquear ativos no valor de 100 milhões de reais.
Conforme as investigações, MC Negão Original integrava o grupo e seria responsável por fraudes como o “golpe do INSS”, o “golpe do falso advogado” e o “golpe da mão fantasma”. A quadrilha também clonava chaves Pix e movimentava os ganhos ilícitos por meio de sites de apostas e fintechs, peças-chave para lavar o dinheiro obtido com os golpes.
A operação apontou ainda um imóvel em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, como núcleo da atuação criminosa. No local foram encontrados notebooks, celulares e documentos relacionados à atividade criminosa, reforçando a conexão entre o artista e a organização. A apuração segue com diligências para esclarecer todo o esquema.
No aspecto artístico, MC Negão Original é uma das vozes de maior impacto do funk paulista, com milhões de ouvintes e seguidores. No Spotify, ele soma mais de 11 milhões de ouvintes mensais, destacando canções como Medley de Igaratá, Carnívoro e Pirocada Quente. Em entrevista ao Metrópoles em 2025, ele descreveu sua trajetória como “irônica”, afirmando que já viveu no mundo do crime, porém se converteu e decidiu trilhar um caminho diferente, movido por fé e uma nova hierarquia.
A defesa, representada pelo advogado Robson Cyrillo, afirma que o mandado de prisão foi cumprido dentro da legalidade e que já foi solicitado o relaxamento da prisão preventiva e habeas corpus, aguardando decisão. Os advogados sustentam que há elementos que justificariam as movimentações financeiras atribuídas ao artista e defendem a revisão do caso pelo Judiciário, negando a necessidade de manter a prisão cautelar.
A investigação, coordenada pelo Deic em parceria com o Ministério Público de São Paulo, busca desmantelar o esquema de golpes em larga escala praticado por meio de plataformas digitais, apostas on-line e fintechs. O andamento envolve a análise de provas, com diligências e eventuais novas ações nos próximos dias.
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