Minas Gerais pode registrar, em 2026, o maior número histórico de feminicídios tentados e consumados desde 2019, caso a tendência se confirme. Até maio, o estado já soma 148 vítimas neste ano, com fevereiro registrando 23 feminicídios consumados — o maior para o mês desde o início da série. O conjunto de dados aponta Belo Horizonte como o maior registro e alerta para falhas na proteção às mulheres.
Entre 2019 e 2026, o estado registrou 2.725 vítimas de feminicídio, somando casos consumados e tentados. Belo Horizonte lidera com 347 registros, seguido pela Região Metropolitana, onde cidades como Betim e Contagem aparecem com números expressivos de ocorrências consumadas. No interior, Uberlândia se destaca, assumindo posição de destaque na série 2024–2026.
Uma característica marcante é que, em muitos anos, as tentativas superam os feminicídios consumados. Em 2024, 248 mulheres sobreviveram a ataques; em 2023, porém, houve mais mortes (186) do que tentativas (168). Essas tendências evidenciam a deficiência na efetividade das medidas protetivas, apesar do avanço da Lei Maria da Penha, e reforçam a necessidade de aperfeiçoamento das ações de proteção.
“Quando se impõe a medida protetiva, a responsabilidade pela fiscalização recai sobre a própria mulher. É ela quem precisa verificar se o agressor está cumprindo a determinação, acionar a polícia e comunicar qualquer descumprimento. Isso faz com que ela deixe de ser apenas vítima e passe a também responsável pela execução da medida.”
Segundo Ludmila Ribeiro, pesquisadora da UFMG, é preciso investir em novas tecnologias para monitorar automaticamente o descumprimento das medidas protetivas, reduzindo a sobrecarga sobre as vítimas e fortalecendo a fiscalização que hoje recai sobre quem sofreu a violência.
Diversidade e metodologia: o sistema mineiro inclui dados de mulheres trans e travestis, assegurando respeito à identidade de gênero nos registros. As informações são extraídas de bases integradas como REDS e PCnet, com participação de Polícia Civil e Polícia Militar, cobrindo tanto violência doméstica quanto discriminação de gênero.
A maioria dos crimes tem relação direta entre autor e vítima — cônjuges, namorados, ex-companheiros ou membros da família. O preenchimento preciso dos boletins é crucial para a fidedignidade dos dados e para orientar políticas públicas eficazes contra a violência contra a mulher no estado.
Locais de atenção constante (2019–2026) aparecem repetidamente: Belo Horizonte, Contagem, Betim, Uberlândia e Ribeirão das Neves. A especialista ressalta que denunciar é apenas o primeiro passo; é necessário que o Estado aprimore a fiscalização das medidas protetivas para que o peso não recaia, ainda, sobre as vítimas.
A sequência de números de 2019 a 2026 mostra um panorama de alta e volatilidade: 2019 — 375 vítimas (149 consumados, 226 tentativas); 2020 — 341 (151/190); 2021 — 336 (155/181); 2022 — 370 (176/194); 2023 — 354 (186/168); 2024 — 417 (169/248); 2025 — 384 (177/207); 2026 (jan–maio) — 148 (63 consumados, 85 tentativas). Em 2024, o ano ficou marcado pelo maior total da série histórica.
Qual é o caminho para reduzir esses índices? A pesquisadora defende uma atuação integrada entre segurança pública, educação, saúde e assistência social, indo além da denúncia. E você, o que acha que falta para proteger as mulheres de forma mais eficaz? Compartilhe sua opinião e contribua para um debate que pode transformar a realidade em Minas Gerais.
