Resumo rápido: a sessão da Seção 301, nos Estados Unidos, abre espaço para discutir tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A audiência, marcada para 6 de julho, já registra 84 inscritos, entre empresários, entidades da sociedade civil e personalidades públicas. Embora o governo brasileiro não participe oficialmente, o Itamaraty e o Palácio do Planalto acompanharão o debate e a fala de representantes brasileiros.
Entre os participantes, destaca-se o interesse de empresários e associações norte?americans que pretendem defender as tarifas contra o Brasil. Ao todo, são 13 entidades cadastradas para discursar a favor das medidas, enquanto o conjunto de empresas e organizações representa setores como etanol, carne bovina e aço, entre outros. O levantamento, obtido pelo Metrópoles, baseia-se nos argumentos apresentados pelos inscritos no portal do USTR.
O grupo defensor das tarifas inclui empresas e associações como: Obelisk Tech Systems Inc; Cleveland-Cliffs Inc; Fundo Jurídico de Ação de Pecuaristas e Criadores de Gado da América (R-CALF USA); Steel Manufacturers Association; Energy Workforce & Technology Council; Growth Energy; National Corn Growers Association (NCGA); Sugarbeet Growers Association (ASGA); U.S. Beet Sugar Association (USBSA); United States Cattlemen’s Association; Coalition of American Millwork Producers; Mesabi Metallics; U.S. Grains & BioProducts Council. A lista completa segue na audiência, com documentos disponíveis no portal do órgão.
Além disso, a pauta explica que as tarifas foram sugeridas pelo USTR após uma investigação comercial que acusa o Brasil de práticas desleais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual e políticas de apoio a setores como etanol e desmatamento. O processo está na fase de manifestações formais, etapa necessária para embasar recomendações futuras de medidas comerciais, sob a Seção 301.

O governo do Brasil não participate oficialmente da audiência. A avaliação do Itamaraty e do Palácio do Planalto é de que não faria sentido o governo, que mantém canal de diálogo direto com Washington para tratar das tarifas, se manifestar em uma sessão voltada à sociedade civil. A embaixada brasileira em Washington acompanhará as falas do dia, assim como a monitoria do discurso de Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, há dezenas de associações, entidades e empresas brasileiras — e também americanas — que pretendem testemunhar contra as tarifas, alegando que as taxas prejudicam empreendedores e a população norte?americana.
Quem se posiciona contra as tarifas também deve rebater as justificativas apresentadas pelo USTR. Entre as críticas estão impactos negativos sobre setores como etanol e pecuária, e objeções ao RenovaBio, apontando benefícios a produtores brasileiros e entraves à importação de etanol. A mobilização visa ampliar o escrutínio sobre as alegações da agência.
Convido você a dividir a sua opinião: como essas tarifas podem afetar o comércio entre Brasil e EUA e o dia a dia de empresas e consumidores? Comente abaixo o que pensa sobre esse tema e participe da conversa.”
