


Estudo recente aponta que gatos domésticos apresentam alterações cerebrais e marcadores biológicos semelhantes aos humanos à medida que envelhecem, abrindo a ideia de que felinos podem servir como modelos naturais para o envelhecimento e doenças neurodegenerativas. A conclusão aponta que, por volta dos 16 anos, um gato pode ter envelhecimento biológico equivalente ao de um humano de cerca de 88 anos.
Ao invés de usar a tradicional equivalência de idades, os cientistas desenvolveram um modelo biológico que cruza marcadores de desenvolvimento em gatos, humanos e outros mamíferos. Com 3.754 registros que reuniram imagens, parâmetros sanguíneos, padrões de doença e marcos de desenvolvimento, o estudo mapeou semelhanças entre as fases da vida das espécies, revelando que o envelhecimento acelera ou desacelera conforme a etapa da vida.
As imagens por ressonância magnética mostraram que gatos idosos perdem volume cerebral e têm ventrículos mais amplos, alterações também observadas em pessoas idosas. Além disso, mudanças ocorreram em áreas específicas, como a região que conecta os hemisférios e na conformação das dobras da corteza.
Os autores também notaram que, com o avanço da idade, gatos exibem catarata, problemas articulares e acúmulo de proteínas associadas à doença de Alzheimer, reforçando o potencial de servirem como modelo para doenças neurodegenerativas. Além disso, felinos que vivem em casa tendem a atingir idades mais avançadas, oferecendo dados mais completos sobre mudanças cerebrais ao longo da velhice. O neurologista Ryan Gibson, da Universidade de Auburn, destaca que exames clínicos ampliados em animais de companhia abrem portas para pesquisas translacionais que beneficiem tanto pacientes felinos quanto humanos.
Entre as limitações estão a escassez de dados sobre gatos de colônia em idade muito avançada e a ausência de ferramentas que mensurem de forma precisa o declínio cognitivo felino ao longo do envelhecimento. Pesquisadores também enfatizam que futuras bases de dados veterinárias, com informações clínicas e relatos de tutores, podem ampliar o conhecimento sobre envelhecimento em ambas as espécies.
Este trabalho reforça o valor de uma ponte entre medicina veterinária e humana. Ao ampliar o acesso a exames cerebrais em animais de companhia, a pesquisa translacional ganha novas possibilidades para entender envelhecimento e neurodegeneração de maneira conjunta, beneficiando pacientes felinos e humanos.
E você, o que acha sobre usar gatos como modelos para envelhecimento humano? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte se já observou mudanças no comportamento ou na saúde do seu gato conforme ele envelhece.
