Asteroides cruzam a órbita da Terra o tempo todo, alguns a milhões de quilômetros, outros mais próximos, sem risco imediato. No Olhar Espacial desta sexta-feira, a Defesa Planetária ganha foco: como são descobertos, monitorados e analisados os asteroides próximos da Terra, com exemplos internacionais e a participação brasileira, incluindo a vigilância de Apophis.
Entre os destaques está o papel do Observatório SONEAR, em Caeté (MG). Mantido por astrônomos amadores, o SONEAR já ajudou a descobrir dezenas de objetos. “Nós descobrimos aproximadamente 50 asteroides próximos da Terra”, ressalta Cristóvão Jacques, físico, engenheiro e fundador do observatório.


A vigilância não depende de uma única instituição. Observatórios ao redor do mundo integram uma rede internacional com universidades, centros de pesquisa e agências espaciais. No topo das buscas estão o Pan-STARRS no Havaí e o ATLAS, que começou no Havaí e hoje opera em versões no Chile, África do Sul e Ilhas Canárias. Juntas, essas instalações são responsáveis pela maior parte das descobertas de objetos próximos da Terra, iniciando o acompanhamento para refinar órbitas e avaliar qualquer risco futuro.
Em termos práticos, novos asteroides costumam chamar atenção ao passar perto. O asteroide 152637 (1997 NC1) fará uma passagem neste sábado, com diâmetro estimado entre 750 e 1.650 metros, a cerca de 2,56 milhões de quilômetros da Terra — aproximadamente 6,6 vezes a distância Terra-Lua. Embora não represente perigo, a passagem ilustra como funciona o monitoramento global.
O episódio também aborda o asteroide Apophis, cuja aproximação de 2029 é considerada um dos maiores eventos astronômicos das próximas décadas. O caso ajudou a impulsionar o Ano Internacional da Defesa Planetária, ampliando o debate sobre o monitoramento de ameaças vindas do espaço. Hoje, quem define a classificação de potencialmente perigoso é a combinação de tamanho (mais de 140 metros) e proximidade com a Terra; existem mais de 2 mil objetos nessa categoria, mantidos sob observação constante.
Apesar do rótulo, esses objetos não estão necessariamente em rota de colisão. A classificação serve para indicar risco potencial suficiente para exigir acompanhamento contínuo, sem alarmismo, com ações coordenadas e bem definidas pela comunidade científica.
E você, já pensou como seria acompanhar uma ameaça espacial em tempo real? Deixe seu comentário com dúvidas, opiniões ou curiosidades sobre Defesa Planetária e o monitoramento de asteroides que passam pela nossa região.
