O Ministério da Saúde vai reforçar o SUS com 760 enfermeiros obstétricos em formação pelo curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, iniciado em novembro de 2025, com investimento de 17 milhões de reais. A meta é ampliar o cuidado humanizado durante a gestação, parto e pós-parto e fortalecer a assistência obstétrica no país, onde existem cerca de 13 mil profissionais nessa área.
A Rede Alyne, lançada em 2024 para substituir a antiga Rede Cegonha, é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e recebe apoio da Abenfo. O objetivo central é reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade de mulheres negras em 50% até 2027, promovendo uma atenção de qualidade e mais humana em todas as etapas da gravidez.
Especialistas avaliam o movimento como positivo. Renné Costa, conselheiro do Cofen, destaca que o Brasil carece de enfermeiros obstétricos — e lembra que, em muitos países, há maior proporção entre profissionais e médicos, o que facilita manter o parto dentro da fisiologia com menos intervenções. Ele aponta que, quando a prática respeita a fisiologia, reduz-se o risco de iatrogenias e as complicações associadas.
Essa mudança também envolve uma transformação cultural. A atmosfera de parto natural precisa ser fortalecida para evitar que o parto operatório seja visto como opção única. O foco é informar as gestantes sobre opções de parto, limitar intervenções desnecessárias — como uso indiscriminado de ocitocina ou a manobra Kristeller — e valorizar a autonomia da mulher.
Casos práticos já apontam ganhos. Em Viçosa (AL), após a especialização, o hospital municipal deixou de receber 80–90 partos por ano para 500–600, com parto mais próximo da mulher. No Brasil, existem cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos, sendo 46% (6.247) vinculados a estabelecimentos no CNES, o que demonstra o desafio de ampliar o quadro para atender à demanda nacional. Em estados com maior cobertura, as maternidades já contam com equipes de enfermagem obstétrica atuantes em toda a rede de pré-natal, parto e puerpério.
A experiência de Valéria Monteiro, mãe de Maria Catarina, ilustra o impacto humano da formação: a enfermeira obstétrica acompanhou o parto desde o pré-natal até o pós-parto, dando embasamento científico para que o parto fosse normal. Essa parceria entre profissional de saúde e gestante fortalece a confiança, aproximando o parto do ambiente familiar sem abrir mão da segurança.
No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde afirma que as maternidades estão bem contempladas com enfermagem obstétrica no atendimento de gestação de risco habitual, mas reconhece que áreas distantes ainda enfrentam dificuldades de prática e experiência. A estratégia envolve contratar profissionais mais experientes e oferecer capacitação prática para tornar os serviços mais consistentes e seguros em diferentes regiões.
A Rede Alyne, lançada pelo governo em Belford Roxo, reforça o compromisso com a redução da mortalidade materno-infantil, atendimento humanizado e melhoria do pré-natal. O presidente Lula destacou que a iniciativa visa proteger a mulher e sua família, assegurando recursos humanos qualificados para o cuidado durante toda a trajetória gestacional.
E você, como enxerga a presença de enfermeiros obstétricos na rede pública? Deixe seu comentário, opine sobre o papel da formação especializada no SUS e conte como você tem acompanhado as mudanças no cuidado à gestante no Brasil.
