Menos saúde e segurança, mais Trump

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Deus não sei onde está, mas a família Bolsonaro acredita que está acima de todos

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Divulgação/Donald Trumo
Menos saúde e segurança, mais Trump

Esqueça saúde, educação, segurança. Esses são temas secundários para Flávio Bolsonaro. Quando não ataca Lula e o petismo, só resta Trump, Trump ou Trump. A tática impulsionada pela estadia de seu irmão Eduardo na terra da Copa de 2026 tem sido desastrosa. Tarifas, sanções, ameaças ao Pix, grupos criminosos classificados como terroristas compõem esse emaranhado de erros. Mesmo assim, o bolsonarismo insiste, como se ainda agitasse a bandeira dos EUA no Sete de Setembro na Avenida Paulista. O ataque à soberania virou método?

Não é novidade. Em diversas ocasiões, enquanto comandava o país, Jair Bolsonaro manifestou alinhamento quase automático à política externa de Donald Trump, inclusive em temas considerados sensíveis para a autonomia diplomática brasileira, como relações com China, meio ambiente e Oriente Médio. É emblemática sua continência à bandeira americana durante a execução de ” The Star-Spangled Banner “. Seu chanceler Ernesto “Pária” Araújo rompeu com a tradição de autonomia do Itamaraty. Os companheiros Sergio Moro e Deltan Dallagnol, durante a Operação Lava Jato, mantiveram intensa cooperação com autoridades estrangeiras, especialmente norte-americanas.

Historicamente, indignados costumavam denunciar violações de direitos humanos em organismos multilaterais, como a ONU ou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. No caso do bolsonarismo, o foco deslocou-se para os republicanos do governo e do Congresso dos Estados Unidos, na tentativa de convencer parlamentares de que o Brasil deixava de ser uma democracia. A nação que nasceu para defender a democracia no mundo precisava agir aqui.

É uma continuação farsesca da política externa dependente que foi consolidada no golpe de 64 e na ditadura militar. Setores da sociedade, militares entre eles, defendem uma aproximação ideológica com o conservadorismo norte-americano, atuam para que os Estados Unidos sejam um aliado político prioritário. Surfam no discurso do anticomunismo e precisam dos ianques para legitimar projetos políticos internos. A balança comercial e os empréstimos davam sentido a essa atuação no passado, hoje, com o multilateralismo e as relações com a China, tudo mudou. Só o poderio bélico justificaria tal submissão.

O problema do bolsonarismo é constitucional. O artigo 4º determina que as relações internacionais do Brasil são guiadas pela independência nacional, pela não intervenção de outros Estados. Isso significa que conflitos políticos internos devem ser solucionados pelo Congresso, Judiciário, Ministério Público e eleições — sem interferência de governos estrangeiros. Foi justamente esse paradigma que foi desacreditado pela extrema-direita patriota.

Brasil acima de tudo? Está difícil acreditar nessa lorota. Deus não sei onde está, mas a família Bolsonaro acredita que está acima de todos.

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