Câmeras registraram advogados presos atuando como núcleo jurídico de chefes de facções criminosas, orientando ações ligadas ao tráfico, à compra de armamentos e a planos de homicídio, mesmo com o isolamento imposto pela segurança máxima no Presídio Estadual de Serrinha, a 180 quilômetros de Salvador. A Operação Sintonia de Gravata prendeu dez advogados e cumpriu mandados contra 12 detentos, após investigações que percorreram de setembro de 2025 a janeiro de 2026 e foram divulgadas pelo Fantástico.
Segundo o Ministério Público da Bahia, existia uma rede externa que mediava a transmissão de ordens entre líderes fora da prisão e representantes dentro, mantendo-se ativa mesmo com a custódia dos chefes. As imagens e depoimentos apontam que o parlatório do presídio era usado para repassar instruções sobre compra e venda de drogas, contabilidade irregular e planejamento de homicídios, fortalecendo o fluxo de recursos ilícitos.
Entre os alvos está a advogada Fernanda Oliveira Borges, que, conforme as imagens, ocultou bilhetes com diretrizes das quadrilhas na roupa íntima durante visitas a um detento. Em outra visita, o traficante questionou-a sobre as contas de venda de drogas e chegou a solicitar a compra de armas, incluindo metralhadoras. Em registros, Fernanda também anotou ordens relacionadas a um possível sequestro.
O advogado Icaro Cardoso Viana aparece recebendo instruções para falar com uma tia sobre a entrega de armas. Em diálogo com o traficante, ele mencionou a compra de cerca de 700 gramas de “peixe” — código para cocaína com óleo — e discutiu o preço de drogas, incluindo o que chamavam de “chã”. As mensagens indicam também orientações sobre pagamentos e prazos para as operações.
Outra defesa envolvida foi a da advogada Maria Mariana, que, segundo as gravações, orientava um preso na preparação de cocaína para venda. Também foi registrado um pedido de assistência informal por parte de um detento, com cobrança de cerca de R$ 3 mil por visita. A operação Sintonia de Gravata envolveu mais de 100 profissionais e resultou na indisponibilidade de ativos acima de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves.
Participaram promotores do Gaeco, servidores e policiais dos departamentos Denarc, Depin, Seap e SSP, em uma operação coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GnCoC). A ação reforça o combate a facções estruturadas e à circulação de armas e drogas, evidenciando como redes externas ajudam a manter atividades criminosas mesmo com lideranças presas. E você, o que pensa sobre esse tipo de prática? Deixe sua opinião nos comentários.
