MP-BA investiga supostas práticas abusivas do Colégio Salesiano em Salvador

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio da 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, abriu um Inquérito Civil para apurar irregularidades e práticas abusivas no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora (Liceu Salesiano do Salvador), unidade localizada no bairro de Nazaré. A investigação envolve três grandes eixos: econômico, contratual e estrutural/sanitário.

Eixo econômico: a denúncia aponta que a instituição obriga a compra de materiais didáticos novos vinculados ao Sistema Bernoulli. Se a família não adquirir diretamente com a escola, o aluno pode ficar sem participação em atividades ou sem acesso a conteúdos digitais, prática que, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), configura venda casada. A apuração também cita preços considerados abusivos e a restrição ao reuso de livros de anos anteriores, ferindo a Lei Estadual n° 6.586/1994 e a Lei Municipal n° 9.713/2023. Além disso, há a imposição de exclusividade via a CISBRASIL, o que pode configurar reserva de mercado.

Eixo contratual: o MP apura cláusulas consideradas abusivas, incluindo a exigência de autorização para uso gratuito do nome e da imagem dos alunos para divulgação da escola em outdoors, TV e redes sociais.

Outro ponto sob análise é a obrigatoriedade de participação dos estudantes em momentos formativos de cunho religioso, como orações e liturgias católicas, o que pode violar a liberdade de crença. Também há relatos de autoria de sanções pedagógicas contra famílias que não adquiriram o material exigido.

Eixo estrutural: o MP analisa as condições físicas do campus. O Relatório de Fiscalização n° 42/2026 do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) aponta descumprimento de normas de segurança contra incêndio e pânico, bem como a ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A Vigilância Sanitária de Salvador (VISA) também identificou irregularidades sanitárias. O Colégio e a CISBRASIL foram notificados e têm 10 dias úteis para apresentar defesa prévia e encaminhar documentos, como contratos constitutivos e planilhas de custos dos materiais.

Outros desdobramentos apontados incluem encaminhamentos do PROCON e CODECON para informar se existem outras queixas, além de ofícios às Secretarias de Educação municipal e estadual para relatar eventuais procedimentos administrativos sobre a conduta pedagógica da escola.

O Inquérito civil é uma investigação administrativa cuja conclusão pode levar a uma Ação Civil Pública, à cobrança de indenizações por danos coletivos ou à celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para correção imediata das falhas.

E você, o que pensa sobre esse tema? Deixe sua opinião, dúvidas ou experiências nos comentários para enriquecer o debate sobre transparência, contratos escolares e padrões de segurança nas instituições.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

CNJ arquiva caso envolvendo juiz que nomeou Tagliaferro para perícia do INSS

Resumo CNJ arquiva investigação contra juiz que nomeou Eduardo Tagliaferro como perito em ação sobre descontos do INSS. A Corregedoria concluiu que a designação...

Em SP, quatro detidos após assalto que movimentou mais de R$1 milhão em joias, relógios e dinheiro

Resumo: Quatro suspeitos foram presos em Presidente Prudente (SP) na manhã...

MP Eleitoral desmente irregularidade em foto de Lula com chapéu na urna

Resumo: O MPE encaminha parecer ao TSE defendendo a validade da...