Pesquisadores da Universidade de Delaware desenvolveram geopolímeros, uma alternativa ao cimento tradicional, que resistiram a seis meses de exposição externa à Estação Espacial Internacional (ISS). Em testes, algumas amostras mantiveram resistência suficiente ou até maior do que as idênticas mantidas na Terra, sugerindo a possibilidade de construir infraestrutura na Lua sem transportar cimento daqui.
Regolito lunar pode ser a matéria-prima
Segundo os pesquisadores, a via mais promissora para erguer estruturas na superfície lunar passa pelo próprio solo. O regolito — poeira e fragmentos de rocha que recobrem a lua — é o material-base estudado pela equipe de Norman Wagner. Trata-se de um silicato semelhante à argila, um dos recursos mais abundantes tanto na Terra quanto na Lua, o que o torna especialmente interessante para construção.
- O objetivo é fabricar materiais de construção com o regolito, minimizando aditivos e etapas industriais.
- O laboratório de Wagner desenvolve geopolímeros, que unem argilas por meio de reações químicas, dispensando altas temperaturas de processamento.
- A abordagem pode reduzir o consumo de energia e facilitar a construção civil sustentável, tanto na Lua quanto na Terra.
O trabalho busca transformar o regolito em componentes estruturais com o mínimo possível de intervenções industriais, abrindo caminho para uma futura construção in loco na superfície lunar.
Teste ocorreu do lado de fora da ISS
Para entender o comportamento dos geopolímeros sob condições espaciais, a equipe enviou placas finas produzidas com simulantes comerciais de regolito lunar e marciano para a missão MISSE-20, da NASA. Por seis meses, as amostras permaneceram fixadas na parte externa da ISS, expostas ao ambiente hostil da órbita baixa da Terra.
Ao retornar, verificou-se que os materiais não apresentaram sinais de deterioração. Em alguns casos, a resistência mecânica foi superior à observada em amostras idênticas mantidas em solo terrestre. O estudo foi publicado na revista Advances in Space Research.

IA ajuda a prever resistência do material
Além de suportar o espaço, futuros materiais de construção para a Lua deverão ser produzidos com confiabilidade diretamente na superfície. Para isso, os pesquisadores desenvolveram um modelo de aprendizado de máquina que prevê a resistência dos geopolímeros com base nas características do regolito e no processamento aplicado. A linguagem gira em torno da ideia de que diferentes argilas lunares podem ter propriedades distintas, exigindo métodos de fabricação específicos.
Estudo identifica momento crítico durante o endurecimento
Outra investigação do laboratório analisou o comportamento dos geopolímeros durante mistura, bombeamento e moldagem, antes do endurecimento. Os cientistas identificaram o ponto crítico de gel, momento em que a pasta moldável começa a ganhar uma estrutura sólida. Descobriu-se que misturar ou cisalhar antes desse estágio não alterava o tempo de endurecimento nem a resistência final, abrindo portas para maior flexibilidade de processamento na Lua sem comprometer a qualidade. Esse trabalho foi publicado em uma edição especial da revista Journal of Rheology.
As descobertas apontam para uma linha de pesquisa que liga sustentabilidade, exploração espacial e avanços na construção civil terrestre, com a expectativa de que o regolito lunar possa se tornar uma matéria-prima viável no futuro próximo.
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