MP aponta “escalada de abusos” e cita 47 investigações contra delegado

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Resumo: o Ministério Público de Roraima pediu o afastamento cautelar do delegado Alexandre Henrique de Matos Lima, da Polícia Civil, citando um conjunto de 47 procedimentos instaurados ao longo de mais de duas décadas. A promotoria aponta um padrão de abuso de autoridade e misoginia institucionalizada, que, segundo o MP, teria escalado nos últimos anos.

De acordo com os autos, o histórico começa em 2005, quando o delegado foi alvo de sindicâncias por abuso de autoridade, ameaça e tortura de um cidadão venezuelano, chegando a ser acusado de se apresentar como corregedor durante a abordagem. Documentos obtidos pela coluna evidenciam esse padrão de atuação desde então.

Documentos obtidos pela coluna revelam que, desde 2005, ele foi investigado em sindicâncias, processos administrativos disciplinares, termos circunstanciados e inquéritos policiais por suspeitas que vão de abuso de autoridade, ameaça e tortura a extorsão, desídia funcional, injúria, calúnia e violência psicológica.

Entre os casos registrados ao longo dos anos, destacam-se: 2005 – acusação de abuso de autoridade, ameaça e tortura; 2007 – suspeita de extorsão contra preso; 2007 – negligência funcional; 2012 e 2013 – ofensas a autoridades, injúria e calúnia; 2013 – uso de atestado médico para participar de uma manifestação durante licença médica; 2020 a 2024 – novas denúncias de faltas funcionais, incluindo conduta inadequada no atendimento, ofensas nas redes sociais e resistência a atividades da Polinter. Em 2025, houve suspensão disciplinar de três dias. Em 2026, um novo inquérito mira suspeitas de ameaças e injúria contra mulheres, além de constrangimento após desentendimento em condomínio.

Segundo o MP, a soma dessas ocorrências indica um quadro estrutural de abuso de autoridade e misoginia institucionalizada, e a ausência de punições efetivas ao longo do tempo teria alimentado a impunidade e a escalada atual das condutas investigadas. A defesa de Matos Lima não foi localizada nos documentos analisados pela coluna até o momento, deixando espaço para manifestação futura.

Recentemente, em junho de 2026, outro inquérito foi aberto para apurar acusações de ameaças, injúria contra mulheres e constrangimento após desentendimento no Condomínio Varandas do Rio Branco, em Boa Vista. Segundo o boletim, a administradora relatou que o delegado mobilizou cinco policiais para obter imagens de câmeras de segurança, desrespeitando regras internas e gerando novas queixas criminais.

O MP sustenta que esses episódios reforçam o padrão de conduta denunciado e afirma que a falta de punições efetivas contribuiu para a sensação de impunidade, facilitando a escalada das condutas atualmente sob investigação. A defesa, conforme os autos, não foi localizada para manifestação até o momento.

Galeria de imagens

Encerrando, o MP destaca a necessidade de apurar e punir condutas inadequadas para restaurar a confiança no serviço público. A comunidade fica atenta aos próximos passos do Judiciário e às manifestações oficiais sobre o caso.

Compartilhe sua leitura sobre o tema nos comentários: você acredita que o conjunto de denúncias é suficiente para justificar o afastamento cautelar? Qual é o papel daCorregedoria e do Ministério Público para conter abusos de autoridade dentro das forças de segurança?

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